Uma semana é pouco tempo para muita coisa e tempo demais para ficar esperando. Liv havia aprendido isso naqueles sete dias que passaram com a lentidão específica das esperas que não têm data certa para terminar. Ela havia lavado a louça com mais cuidado do que o necessário, havia reorganizado a gaveta de roupas de Miguel duas vezes, havia relido a mesma página de um livro que estava na mesinha de cabeceira sem conseguir lembrar de uma linha quando chegava ao fim.
Toda vez que o celular tocava ela olhava para a tela com o estômago um passo à frente do resto do corpo.
Na manhã da quinta-feira ele tocou de novo, e dessa vez era um número que ela não tinha salvo. Liv ficou um segundo olhando para a tela, para aquela sequência estranha de dígitos que não dizia nada e ao mesmo tempo podia dizer tudo. Atendeu antes do terceiro toque.
— Alô?
— Boa tarde. Posso falar com Olivia? — A voz do outro lado era bonita de um jeito que Liv notou antes mesmo de processar o que estava sendo dito. Uma voz baixa e bem articulada, do tipo que parece ter sido feita para dar boas notícias e más com a mesma elegância.
— É ela — disse Liv. Ela própria. Corrigiu mentalmente: *sou eu*. Mas não disse em voz alta.
— Aqui é Laura, do departamento de recursos humanos. Estou ligando para informar que o seu currículo foi selecionado para uma entrevista presencial. Você teria disponibilidade para comparecer amanhã às nove horas da manhã em nossa unidade?
Liv abriu a boca. Fechou. Abriu de novo.
— Sim — disse ela. — Tenho, sim. Com certeza.
— Ótimo. — Liv conseguia ouvir o sorriso na voz de Laura sem precisar vê-la. — Só para te informar que você estará concorrendo com mais quatro candidatas. A entrevista vai ser conduzida pela nossa gerente de RH e deve durar em torno de quarenta minutos. Qualquer dúvida pode entrar em contato por esse mesmo número.
— Entendido. Muito obrigada, Laura.
— Até amanhã, Olivia. Boa tarde.
A ligação caiu e Liv ficou parada no corredor com o celular pressionado contra o peito, como se precisasse segurar a notícia para ela não escapar antes que tivesse tempo de acreditar nela. O coração batia num ritmo apressado e descoordenado que ela não tentou controlar.
— Vovó! — A voz saiu mais alta do que pretendia. Ela foi até a sala quase correndo, encontrou Dona Carmem na poltrona com o tricô no colo e os óculos escorregados para a ponta do nariz, como sempre. — Vovó, selecionaram meu currículo. Amanhã de manhã eu tenho entrevista, às nove horas, no prédio.
Dona Carmem baixou o tricô devagar e olhou para Liv por cima dos óculos com aquela expressão que usava quando estava avaliando se uma coisa era boa o suficiente para ela se levantar. Decidiu que era. Colocou o tricô na almofada do lado, tirou os óculos, dobrou com cuidado e os deixou sobre a mesinha.
— Vem cá — disse ela.


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