Olha no que tudo aquilo tinha se transformado.
E, ainda assim, ele continuava com aquela postura firme, sem soltar a mão dela.
Bruna encarou Cristiano, a voz presa na garganta.
— Você…
— Pelo que eu tô vendo, não tem nada demais. Vamos embora. — Cortou ele, direto.
Foi nesse momento que Samuel chegou.
Nas mãos, carregava as marmitas térmicas.
Cristiano já estava prestes a sair com Isabela quando percebeu a comida.
— Já que chegou… Que tal comer alguma coisa antes de ir? — Disse, virando-se para ela, num tom surpreendentemente suave.
Isabela estava com muita fome.
O cheiro forte de desinfetante do hospital a incomodava, mas a fome falava mais alto.
Já passava de uma da tarde.
Ela não respondeu.
— Come um pouco primeiro. — Insistiu Cristiano.
Sem esperar concordância, puxou-a até um banco no corredor, do lado de fora do quarto.
Samuel se apressou em abrir as embalagens e colocar a comida à frente deles.
Nesse ponto, ele era realmente cuidadoso.
Tinha trazido uma porção a mais.
Mas apenas uma.
Nem precisava pensar muito para saber para quem era aquela extra.
Bruna, claro, precisava comer alguma coisa depois de tudo aquilo.
Já Taís e Lílian…
Nem pensar.
Do quarto, ainda dava para ouvir a voz de Cristiano vindo do corredor.
— Primeiro toma um pouco dessa sopa. Esse prato não tem pimenta. Dá pra comer tranquilo. E o arroz ficou no ponto.
O tom era todo de cuidado, de mimo quase explícito.
Para Bruna, aquilo foi como levar mais uma pancada.
A cabeça começou a latejar de raiva.
Vendo a cena, Lílian forçou um sorriso compreensivo e falou, tentando parecer sensata:
— Mãe, come um pouquinho.
— Come você. Eu não tenho apetite. — Respondeu Bruna, ríspida.
Ela realmente não tinha.
Só de ouvir Cristiano falando com Isabela daquele jeito…
Era como se já estivesse cheia de tanta raiva.
Lílian também não conseguia comer.
Depois de tudo o que tinha acontecido nos últimos dias, perceber que Cristiano ainda conseguia ser tão gentil com Isabela fez o fogo do ciúme subir de forma quase incontrolável.
Ela invejava Isabela.
E a odiava profundamente.
— Cunhada, você come então. — Sugeriu Taís.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar