Depois que terminaram de comer, Cristiano segurou Isabela pelo braço e se preparou para levá-la embora.
Foi então que Lílian apareceu, empurrando a cadeira de rodas.
— Belinha, espera um pouco.
Isabela interrompeu o passo. O olhar frio deslizou até Lílian, sem qualquer disfarce.
Lílian sentiu um leve desconforto sob aquele olhar. Ainda assim, naquele momento, não tinha alternativa.
A mãe havia mandado João procurar Isabela. Muito provavelmente, os negócios no exterior tinham enfrentado um problema sério. Caso contrário, uma mulher orgulhosa até a medula jamais teria se rebaixado a isso.
Lílian temia que, se Isabela fosse embora agora, João não conseguisse mais encontrá-la depois.
Ela precisava ganhar tempo. Precisava mantê-la ali.
— O que foi? — Perguntou Isabela, a voz totalmente neutra.
— Posso conversar um pouco com você?
Era apenas um pretexto. Um atraso calculado.
Isabela ergueu levemente as pálpebras. O olhar que lançou a Lílian tornou-se ainda mais frio, um frio capaz de apertar o peito.
O semblante de Cristiano também se fechou.
— Não existe nada que vocês duas tenham para conversar.
Antes que Lílian pudesse dizer qualquer coisa, ele já puxava Isabela, decidido a sair.
Nos últimos seis meses, Lílian vinha se escondendo atrás do papel de uma mulher com depressão. Mesmo durante o período em que estivera casada com Marcos, sempre se portara como a boa cunhada: correta, impecável, irrepreensível.
Mas Cristiano nunca se importara com esse tipo de encenação.
Quem era boa, quem era má, nada disso lhe dizia respeito.
Isabela e Lílian nunca tiveram, por si só, uma relação harmoniosa. Agora, de repente, Lílian dizia que queria conversar. Quem sabia o que ela pretendia?
Isabela já não era alguém fácil de apaziguar.
Naquele momento, pouco importava o que tivesse acontecido: ele não permitiria que aquelas pessoas continuassem interferindo em sua relação com Isabela.
Foi justamente quando ele segurou a mão dela e se virou para sair que a voz de Lílian soou novamente atrás deles:
— Minha mãe está sofrendo demais por minha causa… — Disse ela. — Se, por isso, ela acabou te ofendendo de alguma forma, você não poderia ser um pouco mais indulgente?
Isabela e Cristiano ficaram em silêncio.
O semblante de Cristiano escureceu ainda mais.
O que havia acontecido no dia anterior, no Condomínio Vila Real, ainda estava vivo em sua mente.
Aquilo tinha sido apenas uma ofensa?



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