Cristiano mal tinha acabado de entrar no carro quando Taís ligou.
Assim que atendeu, ouviu a irmã chorando do outro lado da linha, descontrolada, quase sem conseguir respirar:
— Mano, a mamãe desmaiou! Volta logo!
Cristiano franziu a testa.
— O que aconteceu?
Taís mal conseguia falar de tanto chorar. A voz saiu entrecortada, tomada pelo desespero:
— A mamãe desmaiou... e ainda jogaram água fria nela! Com esse frio, ela não vai aguentar!
Ficava claro que, sem Isabela na mansão, o pessoal dela estava ainda mais cruel.
O sangue de Cristiano ferveu na mesma hora.
Ele se virou para Samuel, que dirigia, e ordenou:
— Volta para casa. Agora.
— Sim, senhor.
Mal tinha desligado a ligação de Taís quando Sabrina, que estava ao lado de Lílian, também ligou.
Assim que atendeu, ouviu a voz aflita dela:
— Senhor Cristiano, a Lílian caiu no lago enquanto lavava o tapete na beira da água. Não estão deixando ela entrar para trocar de roupa. Vão deixar ela congelar até morrer!
Num frio daqueles, aquilo já não era brincadeira. Era questão de vida ou morte.
Sabrina já tinha tentado conversar, implorar, argumentar de todo jeito, mas ninguém lhe dava ouvidos.
No fim, só lhe restou ligar para Cristiano.
A raiva dele voltou a subir.
— O tapete não tinha acabado de ser lavado? Por que mandaram lavar de novo?
Sabrina respondeu, aflita:
— Porque mandaram.
Ali, se vinha uma ordem do pessoal de Isabela, ela tinha que ser cumprida.
Já não existia lógica nenhuma.
Antes, pelo menos, ainda dava para passar pano no chão em um lugar aquecido, limpar o interior da casa. Fosse como fosse, qualquer tarefa dentro de casa era melhor do que trabalhar ao relento.
Antes, era só humilhação psicológica.
Agora não.
Agora era tortura, de corpo e alma.
Depois de desligar, Cristiano ligou imediatamente para Isabela.
Se havia uma coisa que ela sempre fazia era atender quando via o nome dele na tela.
E, como sempre, não demorou muito para que atendesse.
Cristiano rangeu os dentes.
— Me diz de uma vez: o que você quer fazer, afinal? Quer que todas elas morram? — Ele praticamente berrou ao telefone. — Se é isso, mata logo de uma vez e acaba com isso!
Do outro lado, Isabela soltou uma risada fria.
— Como você é perverso.
Cristiano ficou sem reação.
Perverso?
Ela estava mesmo ouvindo o que dizia?
Depois de tudo o que vinha fazendo nos últimos dias, agora queria posar de inocente e chamá-lo de cruel?
Essa mulher tinha perdido completamente a noção.
Isabela continuou, num tom carregado de sarcasmo:


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
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