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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 642

Ao ver que era Renato ligando, Isabela atendeu sem hesitar.

— O que foi?

Com Renato, ela ainda falava com a mesma naturalidade de antes.

Afinal, entre as pessoas próximas de Cristiano, Renato era o único com quem ela ainda conseguia conversar normalmente. Mesmo tendo rompido de vez com Cristiano, Isabela não chegaria ao ponto de envolver Renato naquela confusão.

— Belinha, é que... Cris está comigo. — Disse Renato.

Isabela ficou em silêncio.

Ao ouvir aquilo, sua expressão se fechou na mesma hora.

— O que você quer dizer com isso?

— Bom... Ele bebeu bastante. Eu queria levá-lo de volta, mas o pessoal que você colocou na entrada não deixa a gente passar.

— E daí?

— Será que você não consegue pedir para eles liberarem a entrada? Eu só entro com o carro, deixo o Cristiano aí e vou embora.

— Eles não explicaram por que o seu carro não pode entrar?

— Explicaram. Disseram que é porque Cristiano está dentro.

— Então pronto. Não dificulte o trabalho deles. Eles só estão cumprindo ordens.

Renato ficou sem palavras.

Não, mas aquilo...

Por acaso ele não sabia que eles estavam apenas cumprindo ordens?

Justamente por saber disso é que tinha ligado para ela, esperando que Isabela autorizasse a entrada.

Mas, pelo tom da Belinha...

Tudo bem. Ele entendeu.

Enquanto Cristiano estivesse dentro do carro, a entrada jamais seria liberada.

Renato suspirou.

— Então posso levá-lo direto para o Grupo Pereira? Deixo ele dormir no escritório.

Já que não deixavam entrar, ele teria que dar outro jeito.

Agora Isabela estava sendo implacável com toda a família Pereira. Ninguém conseguiria interceder por eles.

Renato também já não sabia o que fazer.

— Tenta pra ver. — Respondeu Isabela.

Ela não autorizou. Mas também não proibiu. Ainda assim, aquele "tenta pra ver" bastava para arrepiar qualquer um.

Renato, naturalmente, percebeu a ameaça escondida no tom dela.

— Não, Belinha, aí você me complica... O carro não pode entrar, ele também não pode voltar para o Grupo Pereira. Você não vai querer que eu carregue ele nas costas até aí, vai?

Era longe demais.

Além disso, já era noite. Lá fora, fazia um frio de rachar.

— Isso já é problema seu. Se estiver achando pesado, pode largar ele na beira da estrada. — Disse Isabela.

Além do mais, nos últimos tempos, Cristiano vinha pedindo ajuda aos dois, e eles nunca tinham coragem de se meter.

Se, agora que ele os chamara para beber, eles também não aparecessem, talvez aquela amizade chegasse mesmo ao fim.

Só que, naquele momento...

Cristiano estava bêbado a ponto de não saber nem onde estava, e os dois estavam prestes a enlouquecer.

— Então me diz o que a gente faz agora. Amanhã tenho um contrato importante para resolver e estava contando em chegar cedo em casa para dormir.

Até Antônio, que sempre tivera bom temperamento, começava a se irritar.

Ele tinha acabado de assumir a empresa, e o pai ainda ficava de olho em cada passo seu.

Aquilo não era uma perda de tempo?

Agora ele tinha certeza de que não deveria ter vindo.

Renato olhou para ele.

— Você está com pressa para ir para casa dormir? O que quer dizer com isso? Vai me deixar carregar ele sozinho?

— Não seria impossível.

— Só de você ter pensado nisso já é um absurdo, sabia? — Retrucou Renato.

A estrada era tão longa que só de ir andando até a mansão da família Pereira, sem carregar ninguém, qualquer um já chegaria acabado.

E ele ainda queria que carregasse uma pessoa?

— Então anda logo. — Disse Antônio.

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