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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 637

Destino?

Ao ouvir aquela palavra, o amargor no canto dos lábios de Cristiano se aprofundou.

— Não. Isso não é destino. É uma maldição.

Aquilo não tinha nada de destino.

Era uma relação marcada por rancor, tragédia e dívida.

— Uma maldição que veio cobrar da família Pereira tudo o que ela devia.

Renato ficou em silêncio.

Antônio também.

Ao ouvir Cristiano dizer aquilo, os dois se calaram. Não havia uma única palavra capaz de rebater.

Afinal, se a mãe de Isabela havia morrido por causa da mãe de Cristiano, então o encontro dos dois era, de fato, uma cobrança destinada à família Pereira.

E agora, cada golpe de Isabela contra eles vinha pesado demais.

— Chega. Para de beber.

Quando Cristiano levou a garrafa diretamente à boca, Renato finalmente não aguentou mais e estendeu a mão para impedi-lo.

Cristiano levantou o olhar para ele.

— O que você precisa pensar agora é em como resolver isso. — Disse Renato.

— Você acha que ainda dá para resolver?

Renato ficou mudo.

Ao ouvir aquela pergunta, seu coração apertou.

Era verdade.

Ainda dava para resolver?

A resposta era óbvia.

Não.

Renato soltou um suspiro.

— Não dá.

Se fosse algo que pudesse ser resolvido, não teria chegado àquele ponto.

Mas aquilo simplesmente não tinha solução.

Afinal, quem havia morrido era a mãe biológica de Isabela.

Que tipo de dívida era aquela?

Qualquer pessoa, ao ouvir uma história dessas, entenderia que não havia saída.

Aliás, nem precisava ser muito esperto. Qualquer um entenderia que um ódio desses não se resolvia com um simples pedido de desculpas.

— Hah... — Ao ouvir Renato dizer aquilo, Cristiano não conseguiu conter uma risada. — Pois é. Não tem mais como resolver.

Entre ele e Isabela, talvez tudo permanecesse assim para sempre, preso naquele impasse sem saída.

Os bons momentos que haviam vivido juntos começaram a passar por sua mente como cenas de um filme, repetindo-se sem parar.

No fim, porém, tudo congelou em uma imagem ensanguentada.

Embora ele não tivesse visto a morte da mãe dela com os próprios olhos, por algum motivo, aquela cena surgiu em sua cabeça com uma nitidez cruel.

E foi naquele instante que Cristiano entendeu.

— Se quem tivesse morrido fosse a sua mãe, e eu tentasse compensar você, você aceitaria?

Antônio ficou sem reação.

Renato também.

Ao ouvirem aquilo, os dois mudaram de expressão na mesma hora.

Renato foi o primeiro a falar:

— Você bebeu demais? Que absurdo é esse que está dizendo?

O que Cristiano estava tentando fazer?

Já não conseguia recuperar a esposa e agora queria perder todos os amigos também?

Renato olhou para Antônio, cujo rosto já estava visivelmente fechado, e tentou acalmá-lo:

— Chega. Você vai mesmo levar a sério o que ele está dizendo nesse estado?

Antônio era o tipo de pessoa que raramente fechava a cara.

Se até ele havia sido irritado por Cristiano daquele jeito, era sinal de que as palavras que saíam da boca de Cristiano realmente não prestavam.

Antônio apenas resmungou, frio, sem dizer mais nada.

Dessa vez, ele estava mesmo com raiva.

E era compreensível.

O que uma pessoa menos tolerava era ver alguém usar sua família, ou alguém que amava, como provocação.

Cristiano estava bêbado e, sem pensar, havia usado a mãe de Antônio como exemplo.

Por mais paciente que Antônio fosse, era impossível não fechar a cara.

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