— Não liga para ele. Agora ele é só um homem largado pela esposa, sem ninguém que o ame. — Disse Renato, tentando acalmar Antônio.
Só que a frase também atingiu Cristiano.
O olhar dele escureceu de imediato, e Renato sentiu um arrepio quando aqueles olhos sombrios se voltaram para ele.
— Tá bom, tá bom. Eu mereço. Que diabo de coisa fui dizer?
Aquilo já estava passando dos limites.
Cristiano pegou a garrafa e virou quase metade de uma vez.
— Você tem razão. Sou mesmo um homem que ninguém quer. Nem a minha mulher me ama mais.
Antônio não disse nada.
Renato também ficou em silêncio.
A frase tinha um peso triste demais.
Só que...
— E de quem é a culpa?
Antônio ainda estava sério. Ele sempre fora gentil, pouco dado a tocar na ferida dos outros. Mas, dessa vez, foi direto ao ponto mais dolorido de Cristiano.
Renato viu a expressão de Cristiano pesar ainda mais, mas não conseguiu se conter.
— Antônio está certo. De quem é a culpa?
No começo, ele até pensara em consolar Cristiano.
Mas, pensando melhor, consolar o quê?
Já que Cristiano finalmente começava a encarar os próprios erros, era melhor fazê-lo enxergar tudo com mais clareza.
Cristiano não respondeu.
Antônio continuou:
— No começo, a Belinha cuidava muito bem de você. Quando você trabalhava na empresa, ela sabia que seu estômago era ruim e ainda preparava comida para você levar.
Renato emendou:
— Exato. Todo mundo na família Pereira sabia desse seu problema no estômago, mas eu nunca vi sua mãe nem a Lílian fazerem nem um mingau para você.
— Não foi a Belinha que cuidou desse estômago até você melhorar? E agora você quer acabar com ele de novo? — Disse Antônio.
— Só que, dessa vez, se você beber até destruir o estômago, não vai ter Belinha para cuidar de você. — Completou Renato.
Cristiano permaneceu calado.
Aquilo era tocar direto na ferida.
As palavras de Antônio e Renato, naquele momento, eram exatamente isso.
Uma facada atrás da outra.
Ao se lembrar de como Isabela havia sido boa com ele, Cristiano sentiu o peito se contrair.
Não havia sangue, mas a dor sufocava tanto que ele quase não conseguia respirar.
— Se não me lembro mal, naquela época sua mãe vivia dificultando a vida dela. Vocês ainda moravam na mansão, não moravam? — Continuou Renato.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...