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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 638

— Não liga para ele. Agora ele é só um homem largado pela esposa, sem ninguém que o ame. — Disse Renato, tentando acalmar Antônio.

Só que a frase também atingiu Cristiano.

O olhar dele escureceu de imediato, e Renato sentiu um arrepio quando aqueles olhos sombrios se voltaram para ele.

— Tá bom, tá bom. Eu mereço. Que diabo de coisa fui dizer?

Aquilo já estava passando dos limites.

Cristiano pegou a garrafa e virou quase metade de uma vez.

— Você tem razão. Sou mesmo um homem que ninguém quer. Nem a minha mulher me ama mais.

Antônio não disse nada.

Renato também ficou em silêncio.

A frase tinha um peso triste demais.

Só que...

— E de quem é a culpa?

Antônio ainda estava sério. Ele sempre fora gentil, pouco dado a tocar na ferida dos outros. Mas, dessa vez, foi direto ao ponto mais dolorido de Cristiano.

Renato viu a expressão de Cristiano pesar ainda mais, mas não conseguiu se conter.

— Antônio está certo. De quem é a culpa?

No começo, ele até pensara em consolar Cristiano.

Mas, pensando melhor, consolar o quê?

Já que Cristiano finalmente começava a encarar os próprios erros, era melhor fazê-lo enxergar tudo com mais clareza.

Cristiano não respondeu.

Antônio continuou:

— No começo, a Belinha cuidava muito bem de você. Quando você trabalhava na empresa, ela sabia que seu estômago era ruim e ainda preparava comida para você levar.

Renato emendou:

— Exato. Todo mundo na família Pereira sabia desse seu problema no estômago, mas eu nunca vi sua mãe nem a Lílian fazerem nem um mingau para você.

— Não foi a Belinha que cuidou desse estômago até você melhorar? E agora você quer acabar com ele de novo? — Disse Antônio.

— Só que, dessa vez, se você beber até destruir o estômago, não vai ter Belinha para cuidar de você. — Completou Renato.

Cristiano permaneceu calado.

Aquilo era tocar direto na ferida.

As palavras de Antônio e Renato, naquele momento, eram exatamente isso.

Uma facada atrás da outra.

Ao se lembrar de como Isabela havia sido boa com ele, Cristiano sentiu o peito se contrair.

Não havia sangue, mas a dor sufocava tanto que ele quase não conseguia respirar.

— Se não me lembro mal, naquela época sua mãe vivia dificultando a vida dela. Vocês ainda moravam na mansão, não moravam? — Continuou Renato.

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