"Ver a própria rota de fuga, aquela saída que já vinha preparando para o divórcio, virar escombros… Isabela devia estar agora chorando no meio daquelas ruínas, não?"
Quanto mais pensava nisso, mais Lílian sentia, pela primeira vez, um gosto real de vingança.
Um alívio cruel, mas reconfortante.
— E o Cris… Mãe, eu… — Lílian começou, mas a voz vacilou.
No instante em que mencionou Cristiano, a satisfação recém-nascida se desfez por completo.
Durante os últimos seis meses, Cristiano estivera sempre ao lado dela. Lílian sempre acreditara que, pelo menos em parte, ele sentia algo por ela.
Mas a atitude dele diante de Isabela, nos últimos dias, despertara em Lílian uma sensação de perigo como nunca antes.
Uma crise de verdade.
O olhar de Vanessa esfriou imediatamente.
— A questão do Cris não pode ser apressada. — Disse, firme. — Primeiro, a gente resolve a Isabela.
Lílian assentiu sem hesitar.
— Sim… Você tem razão. Primeiro a Isabela.
Com a mãe ao seu lado, sentiu como se finalmente tivesse encontrado um eixo, um apoio sólido.
Ainda ia dizer mais alguma coisa quando, de repente, o celular dentro da bolsa de Vanessa começou a tocar.
Vanessa abriu a bolsa, pegou o telefone e conferiu o número antes de atender.
— João.
Era o assistente dela.
Do outro lado da linha, a voz de João soou grave, carregada de urgência:
— Senhora Vanessa, houve um incêndio no Residencial Valença.
— O quê?!
Vanessa se levantou de supetão.
O movimento foi tão brusco que a cadeira atrás dela tombou no chão, batendo com um estrondo seco que ecoou pelo quarto.
O rosto de Vanessa ficou lívido.
A mão que segurava o celular se fechou com força.
— O que aconteceu?
— A causa ainda está sendo investigada. — Respondeu João. — Mas o fogo se espalhou muito rápido. O condomínio não conseguiu controlar. Os bombeiros já estão a caminho.
A mansão no Residencial Valença era, havia anos, o patrimônio de que Vanessa mais se orgulhava.
Como mãe solo, criando a filha sozinha, ela havia conseguido, por fim, entrar naquele lugar que simbolizava a elite do topo.
Sempre que estava em Nova Aurora, era ali que ficava.
Aquela casa não era só um lar. Era a medalha de tudo o que conquistara ao longo dos anos.
E tinha de ser justamente hoje.
Ela mal voltara a Nova Aurora. Nem sequer pusera os pés na casa… E o fogo já tinha começado.
Aquilo era coincidência ou tinha sido provocado?
Vanessa tremia de raiva. A voz saiu baixa, mas impregnada de fúria:
— Que tipo de incêndio foi esse, para terem sido incapazes de conter o fogo?
Documentos importantes, itens de valor, joias caríssimas, tudo estava naquela mansão à beira-mar.
Ao ouvir que o fogo estava fora de controle, a pressão dentro de Vanessa quase explodiu.
— O incêndio é de grandes proporções. — Respondeu João. — O condomínio está fazendo tudo o que pode, mas… Não está conseguindo conter as chamas.
Vanessa semicerrrou os olhos, os dentes cerrados.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar