Karine pigarreou do outro lado da linha.
— Bom… Então tá. Vai dormir.
Se a própria Isabela tinha dito que não tinha sido ela, então com certeza tinha sido outra pessoa.
Quem quer que tivesse feito aquilo, o resultado era… satisfatório demais.
No andar de baixo.
Bruna viu Cristiano descer sozinho, vestindo um roupão de dormir frouxo, jogado de qualquer jeito sobre o corpo.
O decote entreaberto deixava à mostra marcas de unhas ainda visíveis, quase provocantes.
O sangue de Bruna ferveu na hora.
— Cadê ela?
Cristiano foi até o sofá em frente ao dela, sentou-se e, com uma calma excessiva, pegou o maço de cigarros sobre a mesa de centro. Tirou um, acendeu e deu a primeira tragada.
— Eu já tinha dito, não tinha? Se você não gosta dela, então não tenha contato nenhum. Finja que essa nora não existe.
Se ainda assim não conseguisse engolir essa raiva, podia muito bem fingir que não tinha esse filho também.
Para ele, naquele momento, tanto fazia.
As palavras fizeram a visão de Bruna escurecer outra vez de tanta raiva.
— Eu não quero fingir. Eu quero é não ter essa nora. — Ela respirava pesado, a voz tremendo de indignação. — Você faz ideia do desastre que ela aprontou agora? Ela mandou incendiar a mansão da mãe da Lili. E ainda mandou gente quebrar duas casas no lado leste da cidade. Me diz, afinal, o que essa mulher quer. Como foi que a família Pereira deixou entrar uma coisa dessas? A família Pereira e a família Dias mantêm uma relação de tantos anos… O quê? Casou-se com esse tipo de mulher pra destruir a família Pereira inteira?
Durante todo o caminho até ali, Bruna já vinha sufocada por aquela fúria, a ponto de quase passar mal.
Agora, diante de Cristiano, a raiva transbordava, impossível de conter.
Cristiano deu outra tragada no cigarro, soltando a fumaça com frieza.
— A família Pereira virou papel agora? Vai ser destruída só porque uma mulher quis?
Bruna rebateu, a voz carregada de ódio:
— A família Pereira não é feita de papel… Mas também não aguenta ser destruída por uma bruxa dessas.
Ao lembrar o quanto a reputação da família Pereira tinha sido arranhada nos últimos dias, Bruna sentia o ódio ferver no peito.
Naquele momento, desejava sinceramente a morte de Isabela.
Sem dar chance para Cristiano responder, ela continuou, cada palavra mais venenosa que a anterior:
— Uma menina selvagem que nem sabe quem são os próprios pais. O que dá pra esperar além de falta de educação? Mas, pensando bem, mesmo que tivesse pais, pelo caráter dela, não teria recebido criação decente nenhuma.
A raiva tinha subido tanto à cabeça de Bruna que, se pudesse, teria desenterrado os pais e antepassados de Isabela só para humilhá-los mais uma vez.
— Chega. — Cristiano explodiu.
Ao perceber o nível das ofensas, o rosto dele escureceu por completo.
— Chega coisa nenhuma. — Bruna retrucou, fora de si. — Eu tô errada? Olha o jeito dela. Isso é problema de origem, vem no sangue.
No segundo andar, Isabela estava parada.
Ela tinha ouvido cada palavra imunda que saía da boca de Bruna e não desceu.
Virou-se em silêncio, entrou no quarto e foi até o banheiro. Pegou uma bacia qualquer, daquelas que nem sabia para que serviam, e encheu até a borda com água.

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