Sentada no sofá, Isabela sentia o sangue continuar escorrendo sem parar.
Sem hesitar, ligou diretamente para o 192.
Cristiano continuava sem atender.
Débora já estava em pânico. Só na quinta tentativa ele finalmente atendeu.
— O que foi? — A voz dele veio fria, cortante.
— Senhor Cristiano, volte imediatamente. A senhora Isabela… A senhora Isabela está sangrando muito. — Disse Débora, à beira do choro.
Enquanto falava, lançou um olhar involuntário para o local onde Isabela estivera de pé momentos antes.
Havia sangue no chão.
Do outro lado da linha, houve uma breve pausa.
Em seguida, a voz de Cristiano soou ainda mais distante.
— Foi ela que mandou você ligar e dizer isso?
Débora ficou sem reação.
Isabela, que ouvia tudo no viva-voz, também se calou.
O desespero tomou conta de Débora.
— Não, senhor Cristiano, o senhor entendeu errado. A senhora Isabela não faria isso, ela…
Antes que pudesse terminar, Cristiano desligou.
O som seco da chamada encerrada fez Débora entrar em completo pânico.
Quando ela estava prestes a ligar novamente, Isabela a interrompeu, com a voz baixa e fria:
— Não adianta. Para de ligar. Ele agora deve estar a caminho pra ver a cunhada.
Débora virou-se para ela, aflita.
— Dona Isabela, o senhor Cristiano, na verdade…
— Não fala mais nada. — Isabela fechou os olhos, exausta. — Me deixa quieta um pouco.
Débora ainda tentou dizer algo em defesa de Cristiano, lembrando-se daquela panela inteira de caldo medicinal intragável que ele havia preparado logo cedo naquela manhã.
Irritada, Isabela fez um gesto brusco com a mão, interrompendo-a sem paciência.
Em seguida, pegou o celular e ligou para Wallace.
Na porta, havia vários seguranças colocados por Cristiano. Isabela temia que aqueles homens, obedientes demais, simplesmente não a deixassem sair.
— Fique tranquila, senhorita. — Disse Wallace, com voz firme. — Estou indo agora mesmo.
Assim que desligou, Isabela deixou o corpo cair no sofá, sem forças para se mover.

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