Sérgio contou, com uma precisão quase cruel, tudo o que havia acontecido naquele ano.
Eram detalhes específicos demais. Nem Cristiano, quando falara sobre o assunto, tinha explicado com tanta clareza.
Tantos anos já haviam se passado que, em um dia comum, se Isabela tentasse puxar aquilo da memória, talvez não conseguisse recuperar quase nada.
Mas, conforme Sérgio falava, as lembranças voltavam uma a uma, nítidas demais para serem ignoradas.
Quanto mais ele dizia, mais pálido ficava o rosto dela.
Quando Sérgio terminou, Isabela estava completamente imóvel. Parecia ter sido arrancada do presente e trancada dentro de si mesma.
Ela o encarou por muito, muito tempo, sem conseguir reagir.
Então, ela tinha...
Depois de contar tudo, Sérgio tomou as mãos dela entre as suas.
— Então ele enganou você. Agora entende?
— Então... Era você...?
Isabela chegou até ali e não conseguiu continuar.
Ela olhou para Sérgio, sufocada. Inspirou de leve, mas a garganta parecia ter se fechado.
As lágrimas começaram a se juntar em seus olhos. Ela fungou baixinho, e até sua respiração ficou presa, rígida.
— Você...
Seus lábios se moveram, como se ainda quisessem dizer alguma coisa.
Mas, naquele instante, nenhuma palavra saiu.
Sérgio a puxou para os braços.
Com firmeza, colocou-a sobre seu colo e pressionou a cabeça dela contra o próprio peito.
Assim que escondeu o rosto ali, Isabela desabou.
Aquele choro trazia mágoa.
E também dor.
A mão larga de Sérgio repousou sobre a cabeça dela. Ele não disse nada. Apenas a manteve nos braços, deixando que ela chorasse até esvaziar aquela dor que havia se acumulado em seu peito.
O choro de Isabela foi ficando cada vez mais forte.
Ela nem soube quanto tempo chorou. Só parou quando já não tinha forças, exausta e imóvel nos braços dele.
Então era por isso que Sérgio vinha sendo tão bom com ela durante todo aquele tempo.
E era também por isso que, depois de se casar com ela, Cristiano nunca fizera a família Pereira dar importância àquele passado.
Porque, no fundo, ele a havia enganado.
Não era à toa que Isabela sempre achara estranho o fato de a família Pereira parecer não saber de nada.
Eles realmente não sabiam.
O choro que ela mal conseguira conter voltou, e as lágrimas caíram de novo, uma após a outra.
— Quando você descobriu? — Isabela perguntou entre soluços.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
É sério que não tem final? Não acredito que paguei por nada.......
Eu espero que Isabela não tenha sido idiota e tenha gravado as duas ligações...
Eu realmente acho que ela deveria abrir o jogo com ele e falar da família, acredito que ele desistiria quando visse contra que poder estava lutando...
Esse Cristiano, merece o troféu 🏆 de maior idiota de todos os novels que já li...
Não nego que estou ficando com certas pena desse Ricardo pelo autor o ter feito tão retardado, como é que um presidente de uma grande empresa não tem malícia, é influenciado tão fácil pela família, não coloca as coisas que dizem sobre suspeita, não investiga nada profundamente? Sendo desse jeito e sendo cruel como dizem, não sei como ainda não morreu...
Eu realmente não entendo como Cristiano sendo um homem de negócios e pelo que vejo, cruel na surdina, porque é tão idiota no que diz respeito a essa cunhada...
A estória é boa, porém, repete inúmeras vezes os mesmos detalhes como "deu a família gêmeos, um menino e uma menina", "se não fosse o apoio de Sérgio...", e os episódios de raiva da família, acaba ficando cansativo, uma estória longa com muita repetição no enredo....
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...