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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 756

Durante o café da manhã, Sérgio tratou Isabela com a mesma delicadeza de sempre.

Era justamente aquela suavidade que tornava difícil ligar o homem à conversa que ela ouvira no dia anterior.

Mas ela tinha ouvido.

Tinha ouvido com clareza.

Ao notar que ela permanecia calada havia tempo demais, Sérgio estendeu a mão por cima da mesa e apertou de leve seus dedos.

— Pensando em quê?

— Ah... Em nada.

Isabela queria perguntar sobre a ligação. A pergunta chegou a se formar na garganta, mas morreu antes de sair.

Algumas coisas, quando ditas em voz alta, pareciam ganhar peso. E talvez complicassem tudo ainda mais.

Mesmo assim, depois de hesitar por alguns segundos, ela acabou dizendo:

— Ontem meu irmão comentou que, se Cristiano estiver mesmo em Costa Verde, talvez não seja tão simples tirá-lo de lá.

Sérgio não respondeu de imediato.

Ele levava a xícara aos lábios quando parou por uma fração de segundo. Depois a colocou de volta com naturalidade e disse:

— É. Não é simples.

Isabela também se calou.

Não era simples?

Até então, ela ainda achava que, se confirmassem que Cristiano estava em Costa Verde, capturá-lo seria apenas uma questão de tempo.

Agora, Yari dizia que era complicado.

Sérgio também.

Ele a observou por um momento, depois ergueu a mão e beliscou de leve sua bochecha.

— Está nervosa?

— Claro que estou. Eu não quero mais ter nenhuma ligação com ele.

O divórcio continuava sendo um nó apertado dentro de Isabela.

Antes, quando ainda estava em Nova Aurora, ela não tinha tanta pressa. Nunca lhe passara pela cabeça que Cristiano conseguiria fugir. Muito menos que escolheria se esconder justamente em um lugar que até Yari considerava problemático.

Aquilo só podia ter sido de propósito.

E, por causa daquela escolha calculada de Cristiano, Isabela já não sabia por quanto tempo o vínculo entre os dois ainda continuaria se arrastando.

Cada minuto a mais era uma tortura.

Além disso...

Antes, ela estava decidida a fazer Bruna e Lílian provarem o gosto do arrependimento. Agora, porém, aquela palavra também começava a pesar sobre ela.

Isabela também se arrependia.

Logo depois, ouviu a voz dele, baixa e sem qualquer variação:

— O que ela disse?

— Me ameaçou. E continuava arrogante como sempre. Nem sei quem ajudou aquela mulher dessa vez. Ontem, mal tínhamos ido embora, e ela já foi levada para Enseada Imperial.

Com aquele nome, Sérgio desviou os olhos para a xícara à sua frente. O calor do café subia em fios finos, escondendo por um instante a frieza que havia se instalado em seu rosto.

Isabela continuou, mais como desabafo do que como conversa:

— Se eu fosse ela, ficaria bem quietinha agora, fingindo que nem existo. Afinal, a lição que ela recebeu antes não foi pequena.

Da outra vez, Lílian havia pagado um preço alto. Agora que finalmente conseguira algum apoio, deveria ao menos saber preservar aquela estabilidade.

Mas não.

Lílian nunca sabia se contentar com nada.

— Ela está fazendo questão de me obrigar a continuar lidando com ela. — Isabela sorriu. — Assim, mesmo que eu quisesse deixar pra lá, não conseguiria.

Depois de voltar ao país Y, Isabela havia pensado em deixar os assuntos de Nova Aurora de lado por um tempo.

Só que Lílian simplesmente não lhe dava essa chance.

Quando o café da manhã terminou, Rebeca se aproximou e lembrou:

— Senhorita, precisamos ir.

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