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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 778

Karine não queria Renato ali de jeito nenhum.

Sem muita alternativa, ele tentou mudar de assunto.

E, para falar a verdade, a curiosidade também pesava.

Muito antes de Antônio começar a namorar Karine, Renato já tinha avisado que conquistar a aprovação da família Moreira seria tudo, menos fácil.

O que ele nunca imaginou era que a situação fosse desandar tão rápido.

Por isso, queria entender o que tinha acontecido de fato.

Karine respondeu sem rodeios.

— A mãe dele mandou eu me afastar do Antônio.

Renato apenas assentiu.

— Isso eu até esperava. Mas não acredito que tenha sido só isso para vocês chegarem a esse ponto.

Mães da alta sociedade tentando afastar a namorada do filho não eram exatamente uma novidade.

Bastava perceberem que a escolhida não correspondia às expectativas da família para começarem a interferir.

Ele olhou para Karine.

— Desde o momento em que você começou a namorar o Antônio, devia imaginar que uma hora ou outra isso ia acontecer.

A diferença entre as duas famílias era grande demais.

Esse tipo de conflito era quase inevitável.

Karine soltou uma risada amarga.

— Ela me ofereceu cem reais para eu terminar com o Antônio. Você acha que eu tinha que aceitar?

Renato arregalou os olhos.

— Cem milhões?

Ela fez questão de pronunciar cada palavra.

— Cem. Reais.

Renato ficou olhando para ela por alguns segundos, completamente imóvel.

Parecia que o cérebro tinha simplesmente parado de funcionar.

Então piscou algumas vezes e perguntou, incrédulo:

— Espera... Cem reais? Só cem reais?

Por um instante, chegou a achar que tinha ouvido errado.

Na cabeça da mãe do Antônio...

O próprio filho valia só isso?

Aquilo era uma humilhação para Karine...

Ou uma desvalorização do próprio Antônio?

Karine confirmou com um aceno.

— Isso mesmo. Cem reais.

Pronto.

Não havia engano.

Depois que a informação finalmente fez sentido, Renato entrou em pane.

Ao mesmo tempo em que ficava sem palavras, uma vontade incontrolável de rir tomou conta dele.

"Cem reais...

Na família Moreira, o Antônio vale só isso?"

— Hahaha...

Qualquer pessoa, colocada naquela situação, pensaria exatamente isso.

Só que, agora...

Renato balançou a cabeça, ainda tentando recuperar o fôlego.

— Humilhação? Que nada. Quem saiu humilhado foi o Antônio! Hahaha...

Cem reais.

Na cabeça da família Moreira, era esse o valor do herdeiro.

Fazia sentido aquilo?

Renato ria tanto que mal conseguia respirar.

Karine, que até então estava consumida pela indignação, ouviu aquela interpretação absurda e, pela primeira vez desde o ocorrido, sentiu o peso no peito diminuir.

"Pensando bem...

Ele não deixa de ter razão."

Ela levou a mão à testa e deu uma batidinha de leve.

— É verdade... Como foi que eu não pensei nisso antes?

Humilhá-la?

No fim, quem tinha sido desvalorizado era o próprio filho da mulher.

Aos olhos da própria mãe, Antônio valia apenas cem reais.

Naquele instante, Karine finalmente começou a entender por que Isabela gostava tanto de Renato.

O senso de humor dele era completamente imprevisível.

Ele tinha o estranho talento de transformar até a situação mais revoltante em algo tão absurdo que acabava arrancando uma risada.

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