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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 801

Isabela se sentiu ainda mais sufocada.

Wallace a observou com cautela antes de sugerir:

— A senhora não acha que seria melhor conversar com o senhor Sérgio com calma?

Isabela soltou um suspiro demorado.

— Conversar? Sobre o quê?

Se ainda havia alguma coisa a ser dita, aquele definitivamente não era o momento.

Na opinião dela, quando uma situação começava a parecer estranha o bastante para despertar desconfiança, dificilmente uma simples conversa seria capaz de resolver tudo.

Ela e Cristiano também não haviam tentado conversar quando os problemas começaram?

Tinham conversado uma vez, duas, incontáveis vezes.

E alguma daquelas conversas realmente servira para alguma coisa?

Além disso...

A situação envolvendo Sérgio parecia muito mais complicada do que tudo o que vivera com Cristiano.

Isabela respirou fundo e passou a mão pelos cabelos, tentando aliviar a tensão.

O pouco apetite que ainda lhe restava desapareceu por completo.

Levantou-se da cadeira.

— Continue de olho no Sérgio.

Wallace assentiu.

Ela precisava descobrir o verdadeiro motivo de ele ter ido ao país Y.

Karine tinha razão no que dissera ao telefone.

Por que Isabela também começava a sentir que a presença de Sérgio ali escondia intenções bem menos simples do que parecia?

Fazia tão pouco tempo desde a chegada dele, mas agora até ela percebia que havia alguma coisa errada.

Wallace hesitou por alguns segundos antes de perguntar:

— E quanto ao Cristiano? Quer que eu o avise?

Ele aguardou a resposta, atento à reação dela.

— Não precisa.

Para que avisá-lo?

Desde que o assunto da família Pereira chegara ao fim, a vida ou a morte de Cristiano deixara de ter qualquer importância para ela.

Se ele acabasse morrendo pelas mãos de Sérgio, seria apenas falta de sorte.

— Entendido.

Wallace não insistiu.

Isabela subiu para o quarto.

Parou diante da janela e ficou contemplando a escuridão do lado de fora, mergulhada nos próprios pensamentos.

A noite parecia silenciosa demais.

Quando estava prestes a tomar banho, ouviu a empregada bater à porta.

— Senhorita, o senhor Sérgio chegou.

Isabela permaneceu em silêncio por alguns segundos.

A notícia da chegada dele fez sua testa se franzir levemente.

— Está bem.

Ela pegou o copo d’água sobre a mesa, bebeu metade e só então se virou para descer.

Ainda na escada, avistou Sérgio sentado no sofá da sala.

Ele segurava um charuto entre os dedos, mas não o havia acendido.

Quando a viu se aproximar, abriu um sorriso discreto.

Era um sorriso gentil, quase acolhedor.

Os olhos, porém, continuavam profundos e indecifráveis.

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