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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 826

Quando Isabela terminou de se trocar e desceu, Sérgio acabava de entrar em casa.

Ele parecia ter vindo de longe. Havia cansaço em seu rosto, poeira na roupa e sinais claros de uma viagem apressada, mas nada disso diminuía a elegância contida que lhe era natural. Mesmo exausto, ainda conservava aquela postura distinta que parecia fazer parte dele desde sempre.

Ao vê-la vestida para sair, franziu a testa.

— Vai sair?

Isabela respondeu apenas com um "hum", sem sequer parar.

Ultimamente, era assim que ela o tratava. Não queria lhe dizer nada além do estritamente necessário. Às vezes, nem uma palavra a mais. Se pudesse encerrar qualquer conversa com um simples gesto, faria isso.

Sérgio percebeu a distância em sua atitude e sentiu uma ponta de impotência. Ele sabia que ela estava irritada, mas parecia não encontrar uma forma de fazê-la ouvi-lo.

— Eu já disse que a questão da Lílian vai durar, no máximo, um mês.

Isabela ficou em silêncio.

Um mês?

Ela não queria ouvir falar de prazo. Não queria saber se eram trinta dias, vinte ou dez.

Lançou-lhe um olhar de lado e não respondeu.

Sérgio se aproximou. As mãos quentes pousaram sobre os ombros dela.

— Peça ao Wallace para retirar os homens, está bem?

Isabela não reagiu.

— Lílian não pode morrer agora.

— Ela não pode morrer agora ou nunca vai pagar pelo que fez?

Agora.

Cristiano também já havia usado essa palavra com ela.

Naquela época, ele dissera que Lílian estava grávida do irmão e precisava de cuidados.

Também dissera que, por causa da gravidez, ela estava emocionalmente instável e que, depois de algum tempo, tudo ficaria bem.

Agora.

Espere.

Isabela já nem sabia quando começara a odiar tanto a ligação entre essas duas palavras.

Para ela, sempre que alguém dizia "agora não" e pedia que esperasse, aquilo parecia não ter fim. Um adiamento levava a outro, e depois a mais um, até que ninguém mais soubesse quando chegaria o momento prometido.

E ela detestava esse tipo de espera. Detestava a sensação de estar sendo empurrada para depois, como se tudo o que sentia pudesse ser colocado de lado indefinidamente.

Sérgio permaneceu em silêncio.

Sem perceber, apertou um pouco mais os ombros dela.

— Nem um mês você consegue esperar?

— Se for pela Lílian, não.

A resposta foi firme, sem qualquer hesitação.

Um frio passou pelo olhar de Sérgio.

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