De repente, a lancha fez uma curva brusca, levantando uma parede de água, e cortou a frente do iate.
Com um estrondo, as duas embarcações colidiram, e o iate sacudiu violentamente.
Alícia, com as mãos e pés amarrados, foi arremessada contra os coletes salva-vidas, o que amorteceu o impacto. Seu estômago, já revolto, foi tomado por uma onda de acidez, deixando seu rosto lívido.
Os outros ocupantes do iate também foram jogados de um lado para o outro pelo impacto, e a embarcação foi forçada a parar.
As mãos de Julian, vermelhas e rígidas, agarravam o volante com força. A pele sobre os nós dos dedos estava rompida e sangrava. Ele olhou pela janela, viu Alícia caída no chão e sentiu um tremor violento no coração.
Largando o volante, ele saltou da lancha para o iate, agarrou-se à amurada e, com um movimento ágil, pulou para o convés.
Vários homens armados bloquearam seu caminho.
— Sr. Gonçalo, não queremos conflito com o senhor. Por favor, vá embora!
Não havia sinal de celular no mar; talvez eles não tivessem recebido a ligação do pai dele. Julian decidiu apostar.
— O negócio acabou. Vocês podem ir.
Como esperado, os homens se entreolharam, hesistantes.
Julian passou por eles, entrou na cabine e ergueu Alícia do chão.
— Alícia!
— Você ficou maluco? — exclamou Alícia, ainda assustada com a colisão provocada por ele.
Mesmo que não pudesse retribuir os sentimentos de Julian, ele era o irmão mais velho que ela conhecia desde a infância. Não queria vê-lo arriscando a vida por ela.
Todo o autocontrole e a razão de Julian desmoronaram naquele momento.
Seus olhos transbordavam preocupação e dor.
— Eu não pensei em mais nada.
Naquele momento, seu único pensamento fora fazer o iate parar.
Só então Julian percebeu que estava encharcado. Ele soltou Alícia, apoiou-a contra a parede e desatou as cordas. Pegou um colete salva-vidas e o colocou nela, por precaução.

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