O céu negro e as águas revoltas do mar fundiram-se numa coisa só. A imensa cortina escura expandia-se continuamente, como se fosse engolir tudo.
Alícia olhava para aquela cena apocalíptica com o coração disparado.
— A tempestade chegou, acelerem!
Ao comando de Vinicius, os guarda-costas retiraram-se rapidamente do iate.
Kylen também levou para dentro da casa a mulher em seus braços, que poderia ser levada pelo vento a qualquer momento.
No início, a casa foi iluminada apenas por lanternas, mas, felizmente, o farol da ilha não estava abandonado há muito tempo. O gerador antigo estava com defeito, mas após um reparo feito por Vinicius, a energia da pequena casa foi restaurada.
As pessoas que moravam ali pareciam ter partido às pressas. Havia roupas nos armários abertos, e a mesa de jantar tinha pratos e talheres cobertos de poeira. A substância escura nos pratos e tigelas devia ser resto de comida da época.
Mas, como a casa estava vazia e tinha poucos móveis, foi fácil de limpar.
Julian foi colocado num compartimento no térreo, deitado sobre duas mesas unidas para formar uma "cama" improvisada.
Alícia tentou olhar para dentro, mas teve a visão bloqueada.
Kylen disse sem expressão:
— O Vinicius precisa tirar a roupa dele para remover a bala.
Alícia não sabia qual era o objetivo dele ao dizer aquilo, mas estava realmente preocupada com o estado de Julian.
— Vou esperar aqui fora.
— Diretor Lourenço, o andar de cima já foi limpo, mas a cama não é usada há muito tempo...
Kylen olhou para a teimosa ao seu lado e ergueu a mão, interrompendo o guarda-costas.
— Traga um saco de dormir.
As cadeiras da casa estavam quebradas. Alícia, enrolada no casaco militar, estava prestes a se encostar na parede quando um braço envolveu sua cintura e o peito de um homem colou-se às suas costas.
O corpo de Alícia ficou tenso. Não precisava olhar para trás para saber quem era. O batimento cardíaco inexplicável a fez baixar os olhos, desconcertada.

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