Entrar Via

Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 416

Embora tivesse colocado Alícia no chão, Saulo torceu os braços dela para trás e amarrou seus pulsos firmemente com uma corda, garantindo que ela não conseguisse arrancar a mordaça para gritar.

Ela foi empurrada para continuar a caminhada.

Gustavo desviou o olhar e assumiu a dianteira. Olhou de soslaio para Yolanda, que caminhava ao seu lado, e alertou:

— Se quiser bater ou torturá-la, deixe para fazer isso quando estivermos no helicóptero.

— E se eu quiser matá-la?

O comentário casual de Yolanda penetrou os ouvidos de Alícia. Ela observou a mulher andar com naturalidade, em passos rápidos e vigorosos.

Embora Miguel não gostasse dela, Yolanda era, afinal, a primogênita da Família Arantes. Ela nunca foi boa de corrida, muito menos de trilhas na montanha. Ficava claro que os três anos no exterior haviam moldado Yolanda de uma forma sombria e inesperada.

Além disso, o fato de ela ter se aliado a Gustavo, somado à intimidade com que conversavam, evidenciava que os dois já se conheciam há muito tempo.

Gustavo olhou para trás e encarou Alícia. Seus cabelos estavam embaraçados pelos galhos, e as mechas que antes grudavam no rosto agora haviam secado e esvoaçavam com a brisa.

Quando seus olhares se cruzaram, os olhos da jovem transmitiam apenas desprezo e repulsa por aquela laia, sem um pingo de medo. Ela lembrava demais os informantes que haviam morrido em suas mãos; compartilhavam da mesma ferocidade visceral.

Ele soltou um estalo de língua e sentenciou:

— Ela é o meu grande presente para o Kylen. É claro que não vou deixar você matá-la.

Um brilho calculista cintilou nos olhos de Yolanda.

Ela, obviamente, sabia da rixa entre Gustavo e Kylen. Kylen já lhe cortara as fontes de renda diversas vezes, e, logo no ano novo, quase custara a vida de Gustavo. Era uma sede de vingança que ele definitivamente saciaria.

Contudo, como ela poderia permitir que aquele homem fizesse mal ao seu Kylen?

Sendo assim, o que precisava fazer era eliminar Alícia antes que Gustavo a usasse como moeda de troca.

Dessa forma, Gustavo perderia seu trunfo contra Kylen, e ela seria resgatada como a vítima inocente.

Ademais, ela detinha em suas mãos a fortuna e a fórmula de narcóticos de alta pureza que Gustavo tanto cobiçava. Ele não a mataria.

Observando o perfil de Gustavo, Yolanda soltou uma risadinha ambígua:

— Então estamos combinados. Assim que entrarmos no helicóptero, ela é toda minha. Quero torturá-la até que implore pela morte. Prometo que deixo ela respirando para você.

Ela ergueu a mão e deu tapinhas debochados no rosto de Alícia.

— A sua pulseira...

Subitamente, os olhos de Alícia fixaram-se no pulso da mão que estalava contra o seu rosto.

Yolanda desviou o olhar abruptamente e recolheu a mão na velocidade da luz.

Alícia analisou a reação suspeita.

Daquela vez, na área externa da enfermaria do hospital, a iluminação estava fraca e a distância era de pelo menos dois metros. Bastou um relance para ela assumir que a pulseira no braço de Yolanda era a mesma que sua mãe penhorara anos atrás.

Sem contar que, depois daquilo, Yolanda havia usado a joia inúmeras vezes para provocá-la.

Não era preciso ser gênio para saber que Yolanda também estava convencida de que a peça pertencera à mãe de Alícia.

Contudo, mesmo iluminada apenas pela luz prateada da lua, a proximidade atual não deixava dúvidas. Aquela pulseira não era a da sua mãe.

Por mais parecida que fosse, ela sabia no fundo da alma que era falsa!

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!