Depois que Alícia e Hélder foram embora, a enorme cobertura ficou preenchida apenas pelas risadas que vinham da sala e pelas vozes dos convidados do programa brincando.
Isso só ressaltava ainda mais o silêncio na sala de jantar.
Após tirar a máscara, Kylen removeu a cicatriz falsa colada no canto da boca, olhou para os três pratos intactos à sua frente e pegou o garfo em silêncio.
— Cof...
O sabor picante invadiu suas narinas, e ele acompanhou com uma garfada de arroz.
— Cof...
Ele tomou um gole da sopa.
— Cof...
O céu já havia escurecido. O homem alto continuava sentado à mesa, tossindo por causa da ardência da pimenta, mas sem parar de comer.
Lentamente, ele terminou os três pratos que estavam na mesa.
Após a refeição, Kylen abriu uma garrafa de água e a bebeu de uma vez só.
Em seguida, pegou o celular e viu a mensagem que os seguranças ao redor do condomínio haviam enviado há mais de dez minutos:
— Diretor Lourenço, a senhora e seu amigo já foram embora — informava a mensagem.
Os olhos negros de Kylen escureceram ainda mais. Ele se encostou na cadeira, tirou um maço de cigarros e um isqueiro do bolso e acendeu um cigarro.
Seu olhar caiu de forma displicente sobre o par de chinelos azul-claros em seus pés.
A casa inteira tinha apenas as luzes da sala de jantar acesas, e a figura do homem exalava um ar de solidão.
...
A noite estava silenciosa.
No porão, Yolanda estava recostada no canto da parede, de olhos fechados. A dor lancinante na região lombar persistia desde que ela acordara.
O que exatamente aqueles profissionais de saúde que invadiram o porão de repente haviam feito com ela?
Sem dúvida, fora uma ordem de Kylen.
Ela olhou para a pequena marca de agulha em seu antebraço. Ainda não conseguia entender a dor na lombar, mas a marca de agulha com certeza significava que haviam tirado seu sangue.
Será que Kylen colheu seu sangue tentando encontrar o antídoto por meio desse método?

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