Os dois empresários, que antes estavam impecavelmente vestidos, agora pareciam galos molhados.
Os ternos encharcados os faziam lembrar dois cachorros grandes pegos na chuva.
Porém, Júlia não sentia a menor pena deles; na verdade, sua cabeça estava latejando de tanta irritação.
Ela olhou para o relógio e afastou-se até um canto para fazer uma ligação, avisando ao produtor que um imprevisto havia ocorrido.
Por sorte, ela não era a figura central do encontro, então a sua ausência não causaria grandes problemas.
Ao se virar, viu que os dois continuavam emburrados, cada um no seu canto.
Sem saída, Júlia teve de se desculpar primeiro com Tiago:
— Diretor Cavalcante, sinto muito por tudo isso.
A expressão de Tiago passou da confusão para a indignação.
Ele encarava friamente o seu bom amigo.
— Não tem problema, eu fui precipitado. Mas quem diria...
O verdadeiro monte de esterco estava ali, bem ao seu lado.
Se o olhar pudesse escrever palavras, os olhos de Tiago teriam cravado canalha bem na testa de Sérgio.
Sérgio soltou um riso gélido e não disse nada, apenas fixou os olhos em Júlia.
Ele esperava que ela terminasse as gentilezas com o forasteiro para levá-lo para casa.
Originalmente, Sérgio nem planejava voltar para a mansão naquele dia.
Sérgio não precisava de palavras no olhar; toda a sua postura exalava um desdém que dizia que o outro tivera o que merecia.
Eram todos pessoas de status.
Nenhum deles queria estender o assunto ou piorar a situação.
Depois de se desculpar exaustivamente com Tiago e prometer que encontraria uma forma de compensá-lo, Júlia finalmente guiou o ensopado Sérgio para fora do bar.
— Onde está o seu motorista? Vou pedir para ele encostar o carro.
Para a sua surpresa, Sérgio espreguiçou-se preguiçosamente, abrindo e fechando os punhos machucados da briga.
— Eu os mandei embora mais cedo.
Júlia ficou estática.
Parecia não haver solução.
No começo, Sérgio nem sabia que Júlia tinha um carro, mas, àquela altura, já conseguia identificá-lo perfeitamente no meio do estacionamento escuro.
Ele caminhou até o veículo com toda a naturalidade do mundo e esperou que ela destrancasse as portas.
— Você não tem nada para me explicar?
Havia muitas coisas pesando no seu coração.
Como a noite em que fora drogado, ou as investidas de Tiago e Lucas.
Mas, ao fazer a pergunta, Sérgio não sabia ao certo qual resposta queria ouvir.
Na verdade, naquele instante, ele nem se importava muito com aqueles assuntos.
Era apenas o desconforto com a frieza de Júlia, um instinto para forçar algum tipo de diálogo.
Claramente, ele estava acostumado a ter suas vontades e necessidades antecipadas pelos outros; a sua tentativa de tomar a iniciativa soava extremamente dura e artificial.
E irritante.
— Eu é que deveria perguntar isso, não acha, Diretor Santana?
Ela lançou um olhar cortante a Sérgio.
Vendo que ele não tinha a menor intenção de responder, ela caminhou para dentro de casa.
Os dois seguiram, um atrás do outro, suas sombras esmaecendo à medida que entravam.
Sérgio observou Júlia abrir a porta, segurando aquele buquê de rosas que era maior que a cintura dela, com o rosto tomado por pura contrariedade.

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