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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 154

Os dois empresários, que antes estavam impecavelmente vestidos, agora pareciam galos molhados.

Os ternos encharcados os faziam lembrar dois cachorros grandes pegos na chuva.

Porém, Júlia não sentia a menor pena deles; na verdade, sua cabeça estava latejando de tanta irritação.

Ela olhou para o relógio e afastou-se até um canto para fazer uma ligação, avisando ao produtor que um imprevisto havia ocorrido.

Por sorte, ela não era a figura central do encontro, então a sua ausência não causaria grandes problemas.

Ao se virar, viu que os dois continuavam emburrados, cada um no seu canto.

Sem saída, Júlia teve de se desculpar primeiro com Tiago:

— Diretor Cavalcante, sinto muito por tudo isso.

A expressão de Tiago passou da confusão para a indignação.

Ele encarava friamente o seu bom amigo.

— Não tem problema, eu fui precipitado. Mas quem diria...

O verdadeiro monte de esterco estava ali, bem ao seu lado.

Se o olhar pudesse escrever palavras, os olhos de Tiago teriam cravado canalha bem na testa de Sérgio.

Sérgio soltou um riso gélido e não disse nada, apenas fixou os olhos em Júlia.

Ele esperava que ela terminasse as gentilezas com o forasteiro para levá-lo para casa.

Originalmente, Sérgio nem planejava voltar para a mansão naquele dia.

Sérgio não precisava de palavras no olhar; toda a sua postura exalava um desdém que dizia que o outro tivera o que merecia.

Eram todos pessoas de status.

Nenhum deles queria estender o assunto ou piorar a situação.

Depois de se desculpar exaustivamente com Tiago e prometer que encontraria uma forma de compensá-lo, Júlia finalmente guiou o ensopado Sérgio para fora do bar.

— Onde está o seu motorista? Vou pedir para ele encostar o carro.

Para a sua surpresa, Sérgio espreguiçou-se preguiçosamente, abrindo e fechando os punhos machucados da briga.

— Eu os mandei embora mais cedo.

Júlia ficou estática.

Parecia não haver solução.

No começo, Sérgio nem sabia que Júlia tinha um carro, mas, àquela altura, já conseguia identificá-lo perfeitamente no meio do estacionamento escuro.

Ele caminhou até o veículo com toda a naturalidade do mundo e esperou que ela destrancasse as portas.

— Você não tem nada para me explicar?

Havia muitas coisas pesando no seu coração.

Como a noite em que fora drogado, ou as investidas de Tiago e Lucas.

Mas, ao fazer a pergunta, Sérgio não sabia ao certo qual resposta queria ouvir.

Na verdade, naquele instante, ele nem se importava muito com aqueles assuntos.

Era apenas o desconforto com a frieza de Júlia, um instinto para forçar algum tipo de diálogo.

Claramente, ele estava acostumado a ter suas vontades e necessidades antecipadas pelos outros; a sua tentativa de tomar a iniciativa soava extremamente dura e artificial.

E irritante.

— Eu é que deveria perguntar isso, não acha, Diretor Santana?

Ela lançou um olhar cortante a Sérgio.

Vendo que ele não tinha a menor intenção de responder, ela caminhou para dentro de casa.

Os dois seguiram, um atrás do outro, suas sombras esmaecendo à medida que entravam.

Sérgio observou Júlia abrir a porta, segurando aquele buquê de rosas que era maior que a cintura dela, com o rosto tomado por pura contrariedade.

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