Entrar Via

Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 235

Lá no fundo, ela tinha consciência de que a sua obsessão recente com o roteiro não era saudável, e tentou se forçar a pensar em outras coisas.

A empregada avisou:

— Vai chover logo. Vou descer para guardar a cadeira de vime.

Júlia moveu os olhos bem devagar, mas não respondeu.

Afinal, elas trabalhavam para o Sérgio, não para ela. Nem sequer precisavam da sua autorização para nada.

Talvez ela tivesse cochilado um pouco.

Quando abriu os olhos novamente, Júlia havia perdido totalmente a noção do tempo.

Podia ter passado meia hora, ou várias horas.

O clima de chuva estava um pouco abafado.

Ela quis respirar um pouco de ar puro.

Então, levantou-se lentamente da cama.

Com os ombros caídos, esgotada e sem qualquer motivação, era como se tentasse se desenrolar de um emaranhado de fios de lã molhados.

E seguiu até a varanda.

O que sobrava da luz do dia refletia-se nos fios finos de chuva.

A água caía em pingos, alguns compridos, outros curtos, e alguns que saltavam ao respingar nas grades do corrimão.

No fim das contas, aquele processo de queda parecia incrivelmente livre.

Júlia estava adorando a chuva agora. O clima andava tão quente, e ela estendeu a mão para sentir as gotas, inclinando-se para chegar mais perto.

— Júlia!

Ela sentia-se absorvida numa dança magnífica.

Até ser interrompida bruscamente.

O rosto do homem estava encharcado, como um espectador atrasado que tropeça e esbarra nos outros no cinema.

Sérgio parecia totalmente diferente de como era no dia a dia.

Com os braços abertos, ele caminhava sem rumo pelo andar de baixo, inquieto e apavorado.

Aqueles lábios finos e prepotentes tremiam.

Seu rosto transparecia angústia, pânico e uma cautela excessiva.

— Júlia...

Sua voz soava incrivelmente suave, num tom de súplica: — Dá um passo para trás, seja boazinha. É perigoso ficar aí.

Júlia, porém, não via perigo nenhum. Apenas tombou a cabeça, observando-o lá embaixo em silêncio.

Ela estava sentada de lado no corrimão úmido e escorregadio, com o braço estendido, enquanto apenas as pontas dos seus pés tocavam o chão de leve.

Ela parecia uma gatinha que escapara para fora do parapeito no vigésimo andar, espiando o precipício abaixo.

Sérgio lançou um olhar furioso aos seguranças, ordenando-lhes que se aproximassem.

A fúria de Sérgio estourou em um grito abafado contra o seu peito:

— Júlia! Você sabe o que estava fazendo?! Só porque decidi que você fica comigo, você tentou se jogar da varanda pra que eu visse?!

— Em que eu fui cruel com você? Tem a melhor comida e bebida, tem um médico particular à disposição... por que você insiste em me contrariar até o fim?!

— Mesmo que queira acabar comigo, não precisa...

Sua respiração e sua voz tremiam no mesmo descompasso.

E nada disso conseguia esconder o choro travado na sua garganta.

Desde criança, fora castigado fisicamente pelos pais, fora sequestrado, e quase morrera num acidente de carro no exterior.

Mas nunca, nem sequer uma vez, ficara assustado o suficiente para chorar.

Como estava agora.

Sérgio puxou o ar profundamente.

— Você não precisa brincar com a vida do seu bebê.

Júlia piscou e o empurrou para longe de si.

— Fica longe de mim.

Ela cruzou os braços, esfregando as mãos nas mangas da blusa.

— O seu cheiro me dá nojo.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Ame-me Outra Vez, Minha Ex!