A garota crescera no exterior e era fluente tanto em chinês quanto em inglês, sem contar que as melhores escolas infantis estrangeiras ensinavam uma segunda língua, geralmente francês ou alemão.
E Dora ia muito bem nos estudos.
Seria esse o poder da genética?
Ao ver a senhora tocar naquele assunto na frente de Júlia, Dona Eunice não parou de fazer sinais com os olhos.
A idade de Dona Helena começava a pesar, e ela ocasionalmente se perdia nas conversas.
— Então, Julinha...
Júlia balançou a cabeça, demonstrando não se importar.
Enquanto falavam, escutaram alguém "cantando" ao entrar na casa.
— Ai, mãe, ouvi dizer que temos uma visita ilustre!
Tia Simone entrou batendo seus saltos altos no chão.
Ao ver Júlia, fingiu espanto:
— É verdade! Se não é a nossa Senhora Santana... ai, me desculpe, a EX-Senhora Santana!
— Clarice, está vendo como eu tinha razão? A Senhorita Guedes fez tanto esforço para voltar à Cidade N, como ela deixaria de nos visitar?
Tia Simone fez uma pausa dramática e carregada de sarcasmo ao dizer "Senhorita Guedes".
Ouvindo aquilo, Dona Helena desfez o sorriso.
— O que você veio fazer na minha casa?
— Vim trazer o seu bisneto para a senhora ver, é claro. A Clarice fez questão de trazê-lo.
Dona Helena segurou sua xícara de chá.
— Pelo que vejo, vieram apenas para causar alvoroço.
Clarice parecia saber que não era bem-vinda e demorou para balbuciar timidamente:
— Avó.
Dona Helena não esboçou reação.
Clarice, então, empurrou levemente o ombro de Bernardo.
Bernardo correu de imediato, balançando a mão da senhora:
— Bisavó, o Bernardo estava morrendo de saudades!
O rosto de Dona Helena se suavizou um pouco e ela acariciou as costas do menino.
Estava empapado de suor. Com certeza passara o dia correndo lá fora.
Como fora visitar Dona Helena por iniciativa própria, Júlia achou que seria indelicado virar as costas e ir embora assim que Tia Simone apareceu.
Mas também não pretendia render assunto.
Para sua surpresa, Clarice não teve o bom senso de manter distância e aproximou-se.
Cumprimentou-a com uma voz suave e dócil:
— Irmã.
Júlia sentiu uma ânsia quase insuportável.
Estaria ela encenando um drama de época? "Irmã"? Quem é irmã de quem?
Sem alterar a expressão, Júlia respondeu:

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