— Eu sei, avó.
Tia Simone ficou envergonhada por um momento, mas logo disfarçou com um risinho:
— Tudo bem, tudo bem. Clarice, pare de falar um pouco.
Logo em seguida, mudou de assunto e começou a falar sobre a educação da criança.
— Escute, Júlia, a sua filha já deve ter uns três anos também, não? Em qual escola infantil ela estuda?
Júlia, percebendo as intenções da outra de imediato, manteve-se calada.
Diante do silêncio embaraçoso, Tia Simone foi obrigada a continuar o seu monólogo.
— O nosso Bernardo frequenta a melhor escola internacional da Cidade N, com um currículo totalmente britânico. Ele estuda de tudo, francês, piano, tudo! O Sérgio não poupa esforços na educação desse filho!
Júlia a ignorou.
Percebendo a falta de interesse, Tia Simone disparou:
— Ah, pois é, as escolas infantis comuns nunca ensinariam isso. Devem ter até dificuldade de diferenciar inglês de francês, não é?
Júlia continuou escutando a tagarelice de Tia Simone.
Não teve vontade de dizer que Dora já dominava aqueles idiomas, muito menos que possuía ouvido absoluto para a música, capaz de cantarolar uma melodia no piano apenas após ouvi-la uma única vez.
Não tinha o hábito de usar a filha como troféu.
E não queria que Dora se sentisse pressionada a escolher ou persistir em algo só pelo medo de decepcionar a mãe.
Se a menina tivesse interesse em artes ou idiomas e quisesse aprender, seria ótimo.
Mas se não quisesse, ou decidisse desistir no meio do caminho, também não deixaria de ser uma experiência válida.
Júlia só queria mostrar à filha que a vida é repleta de maravilhas. Fazer, ouvir, experimentar... A felicidade é a única coisa que importa.
Clarice deixou a criança na mansão, à espera de Sérgio, e saiu logo atrás de Júlia.
Assim que chegaram à porta, ela tirou a máscara de fragilidade e docilidade.
O seu sorriso transbordava desdém:
— Júlia, parece que a vida não foi muito gentil com você esses anos, hein? Não conseguiu nem pagar por aulas extracurriculares para a sua filha?
No fundo, Clarice suspirava de alívio.
O seu Bernardo adorava brincar, e a criança de Júlia parecia ser do mesmo tipo.
Ainda por cima, era uma menina.
Uma completa inútil.
Não estar autorizada a entrar na família Santana hoje não significava que jamais seria no futuro.
Quando Sérgio chegou à velha mansão, notou os suplementos alimentares sobre a mesa.
Comentou secamente:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ame-me Outra Vez, Minha Ex!