Sobretudo quando a garotinha virou a cabeça e acenou alegremente para ele.
Sérgio hesitou por um segundo.
Era a menina que encontrara no parque, a quem havia comprado algodão-doce.
Então a "Sra. Júlia" do telefone era realmente a sua Júlia Guedes.
— Olá, tio! Você também veio comer?
Júlia, ao ouvir a filha, sentiu um frio na espinha.
A última coisa que queria no mundo era que Dora descobrisse a existência de alguém como Sérgio Santana.
E se fossem reconhecidas?
De jeito nenhum!
Deus sabe o quanto Sérgio estava louco de ciúme.
Júlia e Lucas realmente estavam juntos.
E ainda por cima tinham uma filha adorável, dócil e compreensiva.
— Mamãe, mamãe! Esse é o tio do algodão-doce que eu vi no parque!
Dora, não querendo terminar a frase, fez um sutil gesto de "shh" para Sérgio.
O que acontecera no parque era um segredo.
Sérgio cravou os olhos em Júlia, ignorando completamente Lucas.
— Vieram comer?
Júlia não queria papo com ele.
Mas Dora tratava Sérgio como um amigo adulto que acabara de conhecer.
Fazia questão de lhe apresentar a mãe:
— Tio do Algodão-Doce, essa é a minha mamãe, não é linda? Ela está num encontro, viu?
A palavra "encontro" quase o matou.
Entre dentes, murmurou:
— Não sabia que o Diretor Franco e a Senhora Franco continuavam tão grudentos depois de casados.
Ninguém na mesa fez menção de corrigi-lo.
Muito menos Dora, que não fazia a menor ideia do que significava Senhora Franco.
Júlia desviou o olhar:
— Fique à vontade, Diretor Santana.
Lucas foi mais ácido. Chegou perto de Júlia e perguntou sem rodeios:
— Quer trocar de mesa? Se estiver com nojo, podemos trocar de restaurante.
Era uma provocação clara e direta. A simples presença de Sérgio estava arruinando o seu apetite.
Com o rosto escurecido, Sérgio vociferou:
— Não abuse, Lucas Franco. Cuidado ou eu acabo com a Império Mídia...
— Sérgio.
— Mamãe!
Vendo a mãe se machucar, Dora pulou da cadeira e agarrou-se à perna de Sérgio.
— Seu grandalhão malvado, solte o meu pai!
Ela lembrou-se do que o Papai Lucas dissera.
Se alguém machucasse a mãe, ela chamaria a cavalaria!
Ouvir a menina chamar Lucas de pai foi como receber uma paulada em cheio.
Sérgio ficou paralisado e acabou levando um soco de Lucas que o lançou longe.
O gerente do restaurante sabia que Sérgio era um cliente ilustre.
Apenas o guiara até a mesa e voltara aos seus afazeres. Jamais imaginaria que uma cena daquelas estouraria.
Os clientes das mesas ao lado começaram a gravar com os seus celulares.
Com agilidade, Júlia envolveu Dora, ainda chorosa, nos seus braços e usou o próprio corpo para esconder o rosto da menina.
Ouvindo o pranto da criança, as expressões de Sérgio e Lucas desabaram.
Lucas massageou o pulso e disse baixinho para Júlia:
— Vou falar com o gerente.
Júlia assentiu, cobrindo a cabecinha da filha com a jaqueta.
Em seguida, foi de mesa em mesa pedir desculpas aos outros clientes. E, é claro, com uma segunda intenção em mente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ame-me Outra Vez, Minha Ex!