Depois de tirar Dora da escola, Júlia a levou direto a um hospital para que avaliassem os machucados.
Na manhã seguinte, acordou bem cedo e preparou onigiris de algas ao molho teriyaki e leite com abóbora bem gostoso.
Ao ver a filha comendo com vontade e balançando as perninhas suavemente, o coração de Júlia se derreteu por completo.
— Limpe a boquinha, se não, quando a abóbora secar, a Dora vai ficar com um bigodinho cor de laranja.
Dora fez biquinho sorrindo, mostrando o pequeno bigode para a mãe.
Desde ontem, Júlia estava cheia de indignação e dor no peito, mas preferiu não demonstrar nada na frente da filha.
Ao chegarem à escola, ela acompanhou Dora até a sala da professora.
A professora titular parecia bastante sem jeito:
— Mãe da Dora, nós compreendemos perfeitamente o seu desejo de falar com os pais da outra criança. Mas o pai do Bernardo é muito ocupado. Nós já os chamamos várias vezes, mas é sempre o secretário quem vem. Nós mesmas nem sequer temos o número do pai dele.
Júlia riu por dentro, mas manteve uma atitude muito educada com a professora.
Afinal, sua filha estudaria ali todos os dias, então ela não podia arrumar inimizades atoa.
— Eu poderia, pelo menos, ver as imagens das câmeras de segurança?
Como a criança tinha se machucado dentro da escola, a professora não tinha como negar o pedido.
Júlia foi à sala de monitoramento, reproduziu as imagens antigas e, com seu celular, filmou Bernardo tomando os brinquedos e as outras vezes em que ele maltratara as demais crianças.
A professora da escola tentou telefonar para o secretário do pai de Bernardo.
Surpreendentemente, aquele homem super ocupado, que costumava criar os filhos com frieza e distanciamento, desta vez apareceu pessoalmente na escola.
Ao retornar à sala da professora, Júlia se deparou com Sérgio ali em pé, com o filho que humilhava os outros sem a menor piedade bem ao seu lado.
A intenção original de Sérgio em mudar a criança de escola era, em primeiro lugar, proporcionar a Bernardo uma educação mais normal, e em segundo, conseguir oportunidades de ver Júlia.
Ele só não esperava que o menino arranjasse problemas tão depressa.
A professora da escola explicou todo o ocorrido do início ao fim.
Bernardo estava parado, fingindo ser comportado ao lado de Sérgio, mas, fora do ângulo de visão do pai, erguia o queixo e lançava um olhar carregado de desprezo e arrogância para Dora e Júlia.
— A mãe da Dora não aceita a mediação com pedido de desculpas entre as crianças.
Bernardo resmungou baixinho:
Após essa frase, a expressão de todos ali no local mudou, não apenas de Sérgio e seu filho, mas da própria professora.
Júlia logo entendeu a situação e falou de maneira serena para a professora:
— Fique tranquila, o valor que o pai do Bernardo doa para a escola todos os anos, eu farei a mesma doação de forma anônima. Quanto às aulas de francês e de equitação, eu também posso contratar professores, não vou criar dificuldades para a senhora.
Não era só dinheiro?
Ela também tinha sobrando.
— Além disso, não vou fornecer recursos só para a turma da Dora, vou bancar todos os cursos e as turmas da escola daqui em diante.
Quando ouviu isso, os olhos da professora brilharam.
Sérgio era de fato muito rico, mas, mesmo assim, esse dinheiro era algo só da família dele, né?
Nas mesmas condições, um menino encrenqueiro com um pai autoritário logicamente perdia para uma garotinha adorável com uma mãe compreensiva.
A professora então disse:
— Na verdade, de acordo com as regras da escola, atitudes como a do Bernardo justificam plenamente...

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