Após a saída dos representantes das grifes, Sérgio passou dois dias sem encontrar uma oportunidade para falar com Júlia.
Quando finalmente chegou o fim de semana, Júlia ainda precisou ir para a empresa fazer hora extra.
Sérgio levou Dora com ele para buscá-la no trabalho.
Se tivessem sorte, quem sabe não conseguiriam comer fora e ter um jantar maravilhoso.
Lucas Franco estava no exterior e não conseguia cuidar da empresa.
Júlia escolhia roteiros para si e, ao mesmo tempo, supervisionava os projetos, sobrecarregada de trabalho.
— Por que a qualidade dos roteiros ultimamente está tão boa?
Júlia folheava os textos enviados pelas produtoras, e havia vários cujas histórias a interessaram.
Ao ouvir isso, Patrícia Prado não teve escolha senão dizer a verdade.
— Eu também só soube depois de conversar com alguns produtores hoje. Essas duas séries são projetos apoiados pelo governo, com investimentos do Grupo Oceano Internacional por trás.
— E este aqui foi bancado pela Agência Estelar com dinheiro vivo, inicialmente achei que eles iam promover algum novato...
Em suma, o grande Presidente Santana, para mimar sua ex-esposa, gastou dinheiro e se esforçou de propósito naquelas séries.
Sinceramente, era muito curioso.
Se o casamento fosse comparado a um túmulo, o mato na sepultura do amor do Presidente Santana e de Júlia já estaria medindo metros.
Agora que ele estava fazendo tudo isso, para quem seria? Que utilidade tinha?
A expressão de Júlia não estava das melhores.
— Deixe isso de lado por enquanto. Os projetos têm estado muito corridos, principalmente a atração de investidores para o cinema.
Patrícia guardou os documentos.
— Ouvi dizer que também precisamos encontrar investidores estrangeiros?
Júlia soltou um murmúrio de confirmação.
De acordo com o contrato, o projeto era liderado pela Império Mídia, e o Grupo Oceano Internacional fornecia relacionamentos e contatos. Já que queriam integrar recursos do exterior, o Sr. Vanderlei seria o mais útil.
A única coisa desagradável era que o investidor mais adequado era o Sr. Leon.
Júlia sabia que negócios eram negócios, mas quase havia sido manipulada por ele para ir parar na cama, por isso não conseguia deixar para lá.
Olhando a hora, já era quase entardecer.
Júlia deu algumas instruções à equipe do projeto, pretendendo fazer as horas extras em casa.
Assim que saiu pela porta, viu uma pequena figura como um passarinho.
— Mamãe!
Dora veio pulando em sua direção, acompanhada de perto por uma pessoa.
Era Sérgio.
Naquele dia, ele vestia uma camisa de gola V e calças de uma famosa grife de luxo.
Sua aparência exalava discrição e bom gosto.
No instante em que Júlia o viu, também escutou os gritos estridentes das fãs por perto.
— Ah, meu Deus, é a Júlia Guedes!
— E tem mais coisa babadeira, olha quem está do lado dela.
— Lascou-se, meu casal preferido apareceu do nada, o grande presidente vindo buscar a esposa no trabalho, não estou sonhando, buááá.
A Império Mídia tinha outros artistas além de Júlia.
Sempre havia fãs vigiando os arredores.
Júlia não queria expor a filha, e se sentiu irritada com a atitude de Sérgio.
Naturalmente, ele também escutou.
Ele se aproximou diretamente.
Imitando o que Júlia havia feito da última vez no restaurante, comunicou-se com cada pessoa:
— Com licença, eu só vim buscar minha esposa no trabalho...
Houve outra onda de suspiros.
Sérgio franziu a testa, indefeso.
— Será que vocês poderiam, por favor, tapar o rosto da criança?
As fãs ficaram atônitas quando o homem que viam nas revistas de finanças apareceu subitamente diante delas.
O que importava é que ele era lindo.
E a voz também soava maravilhosamente bem.
Elas quase desmaiaram.
Júlia sentiu uma avalanche de emoções quando presenciou a cena.
Nunca antes tinha visto Sérgio com uma atitude tão humilde e servil.
Júlia apagou aquela leve emoção que tocou seu coração.
Júlia mandava fotos de plantas florescendo, de rostos sorridentes nas xícaras de café, e sempre preparava piadas elaboradas nos feriados.
Mas ele, em contrapartida, ou não respondia.
Ou então digitava um preguiçoso 'Tá'.
Nas mensagens dos dois, curiosamente, jamais havia se formado uma conversa real.
Quão ridículo era isso?
A felicidade que um dia estivera ao seu alcance, agora, nem com todas as súplicas ele conseguiria de volta.
Ao retornar para casa, Sérgio estava desanimado.
À noite, ele saiu do escritório e escutou Júlia tomando banho, não aguentou e entrou no quarto para esperá-la.
Passaram-se dez minutos, passaram-se trinta.
Sérgio acabou adormecendo superficialmente na cama.
Até que o agradável aroma de sabonete invadiu suas narinas.
Sérgio abriu os olhos.
— Júlia, deixa eu voltar a dormir aqui, por favor?
— Eu garanto que não farei absolutamente nada de mais.
Ele fez uma breve pausa.
— Só quero ficar perto de você, apenas isso.
Júlia puxou o pijama, cobrindo-se melhor, e sorriu.
Um sorriso sarcástico, de quem entendia a intenção dele perfeitamente.
— Então esse é o seu objetivo?
— O quê?
Sérgio ainda estava meio tonto do sono.
Júlia sentou-se no sofá, olhando para ele de forma complacente.
— Diretor Santana, eu sei, você não é o tipo de pessoa que fica excitado por qualquer coisa, se for o caso...
— Que tal se fecharmos um negócio?
Quando processou as palavras, a expressão de Sérgio contorceu-se de dor e mágoa.

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