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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 338

Júlia fitou os dois, sem piscar sequer uma vez.

— O que significa isso, Srta. Cardoso? Não me diga que passou todos esses anos aperfeiçoando suas habilidades de atuação apenas para que eu, alguém da área, fizesse uma avaliação crítica?

A voz de Clarice soava repleta de angústia:

— Desculpe, Júlia. Eu nunca quis separar você do Sérgio... Só queria tanto dar uma família ao Bernardo. A criança não tem culpa.

Lucas ainda não havia desligado e logo notou a falsidade e o drama naquelas palavras.

Ele aproveitou para clicar no botão de gravar a tela.

Dona Eunice foi a primeira a aparecer.

As pernas da senhora de idade já não ajudavam muito, então ela demorou um bocado.

Ao ver Clarice dizendo aquelas coisas para Júlia, ela sentiu que era uma desgraça para a família, tendo perdido toda a sua dignidade.

Júlia declarou:

— Você quer dar um lar para seu filho, Clarice, mas preste atenção. O problema aqui não sou eu, mas sim o seu querido Sérgio, que não te quer mais e insiste em formar uma família comigo.

Ela acenou para que Dona Eunice ajudasse Dona Helena a se sentar.

— Não adianta implorar para mim.

Dona Helena estava aflita. Se não fosse pelo garoto e para evitar um escândalo, já teria mandado seus funcionários a expulsarem.

— Srta. Cardoso, vá dizer tudo isso ao Sérgio. Este é um assunto entre vocês dois.

Clarice enxugou o rosto e tirou um documento de sua bolsa.

— Vovó, não acredite no que estão dizendo na internet. Essas coisas foram inventadas por gente que não suporta ver a mim e ao Bernardo felizes.

— Aqui está o teste de paternidade do Bernardo e do Sérgio. Não fizemos antes por consideração à empresa e ao Sérgio. Não me importo que me chamem de amante ou de mãe de um filho bastardo, mas, vovó, o Bernardo é seu bisneto biológico. A senhora não sente nem um pingo de pena dele?

O rosto de Dona Helena mudou ao ver o exame de DNA.

Os erros de Clarice eram culpa exclusivamente dela.

Mas se o menino realmente fosse sangue dos Santana, ele não poderia ser difamado daquela forma.

— Júlia, você sempre me odiou e quis se vingar. Eu entendo. Não quero competir com você por nada. Eu só espero que o Bernardo receba o amor do pai, assim como a irmãzinha Dora, e que tenha um lugar para viver.

Ela voltou o olhar para Dona Helena:

— Se a Júlia tem tanto ódio de mim, eu posso ir embora. Só lhe peço...

As pessoas idosas costumam amolecer o coração com mais facilidade.

Clarice puxou Bernardo para que se curvasse.

O menino não quis; ele se queixou de cansaço e choramingou, dizendo que queria descer para brincar.

Clarice deu um tapa nas costas dele.

— Pode chorar. Continue desobedecendo a Tia Júlia. Logo não teremos onde morar. Você é tão pequeno; se não tiver um pai, vai acabar virando um moleque de rua.

Ela se virou para Júlia, rogando:

— Júlia, olha só... a vovó ama o nosso Bernardo de verdade. Você, sendo tão carinhosa com ela, e ela te tratando com tanto afeto...

Bernardo chorava a plenos pulmões.

Clarice vertia lágrimas de forma quase melodramática.

Até mesmo os olhos de Dona Helena marejaram.

— Julinha, por que você não...

Dona Helena abriu a boca, mas estava sem graça de continuar a frase.

Clarice fechou os olhos como se tivesse tomado a decisão mais difícil de sua vida:

— Bernardo, preste atenção. A partir de hoje, a Tia Júlia será sua mãe. Você não pode voltar para casa, não me procure, ouviu bem? De agora em diante, você obedece ao seu pai e à mamãe Júlia.

Dessa vez, Bernardo ficou assustado de verdade.

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