Bruno ficou ali sentado metade do dia, e até assistir o caos já tinha perdido a graça para ele.
Ele soltou um suspiro impaciente, com o olhar carregado de escárnio.
— Calma, eles já vão chegar.
Ayla conferiu o relógio, a voz firme e tranquila.
Mal ela terminou a frase, a porta do salão foi empurrada.
O corpo relaxado de Bruno enrijeceu na hora.
Os acionistas centrais da empresa eram sete. Tirando Carolina, ele e Ayla, os outros quatro sempre foram aliados ferrenhos de Carolina... gente que jamais apareceria para uma reunião convocada por Ayla.
Mas quem entrou justamente naquele instante... eram dois desses quatro.
Os dois homens, já de meia-idade, estavam impecavelmente vestidos, passos rápidos e tensos.
Entraram sem nem sequer encarar Bruno, rostos fechados, e se acomodaram ao lado de Ayla.
Bruno respirou fundo, pesadamente, e apoiou as mãos na mesa, incapaz de entender o que estava acontecendo.
Que diabos era aquilo?
A notícia da presença dos acionistas correu como pólvora.
Não levou cinco minutos para que todos os diretores também corressem até o salão, apressados.
Em poucos instantes, a sala ficou completamente lotada.
Aqueles executivos que antes mal olhavam para Ayla agora disputavam para a cumprimentar, cada um inventando uma desculpa diferente por ter chegado atrasado, num esforço desesperado de lhe mostrar respeito.
Se até os acionistas apareceram, será que apostaram no lado errado?
Um silêncio quase opressivo tomou conta do ambiente, denso e rígido.
Só Ayla parecia manter a calma absoluta, girando levemente a cadeira enquanto acompanhava o relógio.
— Não vamos esperar mais. Assim está bom.
Assim que ela falou, a assistente fechou a porta do salão.
O sorriso debochado que Bruno carregava até instantes atrás sumiu como se nunca tivesse existido. O rosto dele empalideceu, e as juntas dos dedos estalaram de tanta força que fazia ao cerrar elas.
Ayla então sinalizou para que a assistente explicasse toda a questão do acordo de metas.

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