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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 101

Como era de se esperar, quando a votação começou, Ayla recebeu apoio unânime. Sua autorização de acesso foi liberada imediatamente, e a nomeação oficial foi comunicada a todos os setores.

Ao fim da reunião, Bruno já não tinha mais o menor resquício da arrogância de antes. A gravata borboleta pendia frouxa no colarinho, os óculos haviam sido retirados e ele tentava, em vão, recuperar o controle da respiração.

— Sr. Bruno, agradeço pela presença hoje. Uma pena que a Sra. Carolina não pôde comparecer. Eu tinha vontade de aprender um pouco sobre gestão com ela. De qualquer forma, espero que possa transmitir meus votos de melhora e desejar uma rápida recuperação. — Comentou Ayla ao sair da sala, com um tom de voz calmo e educado.

— Claro... — Respondeu Bruno entre os dentes, forçando um sorriso que mais parecia uma careta.

Assim que ela saiu, ele voltou para sua sala furioso. Atirou o paletó na cadeira, esbravejou contra a equipe e ligou imediatamente para os dois acionistas que haviam comparecido à reunião, exigindo saber por que o traíram em cima da hora.

Logo entendeu. Ayla era muito mais influente no mercado financeiro do que ele jamais imaginou. De alguma forma, ela havia descoberto os podres dos dois.

Os dois acionistas tinham praticamente todo o patrimônio atrelado ao Grupo Fonseca, estavam afundados até o pescoço. Além disso, haviam recebido vantagens escusas de Bruno por debaixo dos panos, o que Ayla agora também sabia.

Ela os pressionou: ou colaboravam com a transição de poder, ou ela detonaria uma guerra aberta, queimando bilhões e arrastando o valor das ações para o fundo do poço.

Eles não tiveram coragem de arriscar. Ayla tinha o perfil de quem, se provocada, era perfeitamente capaz de fazer isso — e quem pagaria a conta seriam justamente eles, os acionistas.

Com os segredos deles na mão dela, a decisão foi simples.

Bruno estava tão irritado que mal conseguia respirar. O coração latejava no peito e ele praguejou alto, desligando o celular no meio do xingamento. Em seguida, saiu de casa em disparada para encontrar Carolina.

Enquanto isso, Ayla organizava os cargos de Rebeca e dos demais. Quando voltou para sua sala e recebeu o relatório da reunião, um detalhe chamou sua atenção.

Ela havia ganhado mais um voto acionário.

Com o voto forçado de Bruno, o esperado era que somasse quatro. Mas no sistema constava cinco votos a favor.

De onde veio o quinto?

Ayla abriu o sistema para conferir e logo percebeu: o Grupo Fonseca agora tinha um oitavo acionista. O nome era... Daniel.

Seu coração afundou na hora.

No banco do passageiro, Bianca enxugava as lágrimas em silêncio, ainda visivelmente magoada.

Nos últimos dois dias, ela só levou pancada — foi expulsa de casa por Selina e humilhada por Armando na empresa.

Gustavo havia passado dois dias sem sequer vê-la, tomado pela culpa.

— Pronto, meu amor, não chora mais. — Disse ele, tentando consolar — Eu prometi que vou compensar tudo, não foi? Hoje você pode escolher o que quiser. Compre tudo que quiser. A gente vai superar isso, só preciso que tenha um pouco de paciência.

Bianca era sua esposa, afinal. Gustavo sabia que não podia pensar só na empresa. Mas, naquele momento, a única forma que conhecia de apaziguá-la era gastando com ela.

Ela não queria sair de casa de jeito nenhum, foi ele quem insistiu para que ela desse uma volta, para espairecer. Bianca virou o rosto, ainda sem vontade de falar.

Mesmo assim, Gustavo forçou um gesto de carinho, segurando firme a mão dela.

— Mas você precisa me prometer uma coisa: não deixe a Ayla voltar para a empresa. E muito menos, deixar ela com metade das ações.

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