O silêncio tomou conta da sala. As perguntas cuidadosas de Ayla vieram uma após a outra, até que Daniel já não conseguiu mais sustentar.
— Ayla. — A voz dele pesou de repente. — Eu realmente estou bem.
Foi só ao ouvir o próprio nome que Ayla pareceu despertar de um transe. O coração deu um leve solavanco.
O que ela estava fazendo? Talvez estivesse indo longe demais.
— Desculpa, sei que falar tudo isso pode acabar te incomodando — disse ela, com cautela. — Mas, o Sr. Daniel goste ou não de ouvir, eu preciso dizer. O mais importante é a sua saúde. A primeira pessoa que o Sr. Daniel precisa cuidar é de si mesmo. Eu não quero ver o Sr. Daniel se machucar por nada, porque...
A frase se interrompeu no meio.
— Porque o quê? — A voz dele ficou mais baixa.
Os olhos escuros se encheram de um brilho úmido, presos com firmeza às sobrancelhas franzidas dela na tela.
— Porque... — Ayla mordeu levemente o lábio, a voz caiu num tom contido, quase triste. — Porque eu fico com o coração apertado.
As últimas palavras saíram baixas, mas Daniel ouviu com absoluta clareza.
— Ayla... — A rouquidão dele ficou ainda mais suave, como uma corda molhada vibrando direto no peito dela. — Você tem ideia do que significa dizer isso para um homem doente?
Ayla ficou em silêncio por um instante, ainda sem saber o que responder, quando ele continuou, num tom firme:
— Ayla, eu quero te ver.
A respiração pesada atravessou a tela. O calor da voz parecia alcançar o ouvido dela.
Mesmo que fosse só por um momento, Daniel desejou intensamente que Ayla estivesse ali.
Não para fazer nada em especial. Apenas estar ao lado dele.
Aquela vontade avassaladora de ter alguém por perto era algo que ele nunca sentiu antes.
E isso o deixou perdido.

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