Ayla ficou um instante sem reação.
— Vovó...
— Eu percebi. Assim que aquele menino foi mencionado à mesa, você mal conseguiu comer. Aqui comigo, você não precisa fingir nada. Se preocupar com alguém é natural. E mais ainda quando vocês logo vão ser marido e mulher. A esposa se preocupar com o marido, isso é a coisa mais normal do mundo.
A forma como Giovanna falou fez o rosto de Ayla corar por completo.
Ela se endireitou no sofá e virou o rosto de lado.
— A senhora não devia brincar com isso. Eu só fico preocupada porque o Sr. Daniel se exige demais. Isso acaba fazendo mal pra saúde.
— Está bem, está bem, sem brincadeiras então — Cedeu Giovanna, sorrindo. — A vovó liga pra ele agora.
Ela nem esperou Ayla responder. Pegou o celular e iniciou uma chamada de vídeo para Daniel.
Quando o som da conexão ecoou, Ayla, quase sem perceber, ajeitou a roupa.
Demorou um pouco até a ligação ser atendida. Então, a voz grave do homem atravessou a tela.
— Vovó, aconteceu alguma coisa? Já está tarde.
Havia algo claramente errado.
Nas ligações anteriores com Ayla, Daniel falava pouco, direto, e nada chamava atenção. Agora, porém, era impossível não notar.
A voz não estava apenas rouca. Soava carregada, com um forte tom nasal.
— Meu neto, você está doente? Sua aparência não está nada boa — Disse Giovanna de imediato, olhando fixamente para a tela.
Ayla esqueceu qualquer resquício de timidez e se aproximou rápido, ficando ao lado dela.
Na imagem, Daniel estava recostado no assento. O rosto parecia excessivamente pálido. A mão cobria parcialmente a região abaixo do nariz, e ele tossiu mais de uma vez, tentando conter.
Ao ver Ayla, os olhos dele tremeram de leve. O corpo se endireitou num reflexo imediato. A movimentação repentina fez a tosse se intensificar.
— Sr. Daniel, você está bem? — Perguntou Ayla, com a voz baixa, carregada de preocupação.

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