O azul límpido no copo era exatamente o mesmo da bebida que preparou para Daniel naquele dia.
Ayla deu um pequeno gole. O sabor era intenso, provocante. No mesmo instante, a imagem do Daniel ao seu lado passou rapidamente por sua mente.
Daniel mantinha sempre uma postura fria e distante diante dos outros, mas, em casa, se mostrava surpreendentemente próximo. Onde ela ia, ele ia atrás.
Por volta das onze da noite, Ayla cochilava no sofá da sala quando o celular a despertou.
— Alô?
Atendeu ainda sonolenta. Do outro lado, veio a voz de Daniel, baixa e próxima:
— Já dormiu?
— Não... ainda não.
Ela esfregou os olhos, sentou-se devagar. A voz ganhou clareza aos poucos.
— Por que ligou a essa hora? Já terminou o trabalho?
— Já — Respondeu ele. O tom parecia colado ao ouvido dela, grave, envolvente. — Eu senti sua falta.
— ...
Ayla sentiu o álcool, que já tinha baixado, voltar de uma vez. As orelhas esquentaram.
— Eu também...
As palavras saíram quase num sussurro e se perderam no ar. Com receio de que Daniel continuasse, ela se apressou:
— Hoje eu queria ter jantado com você. Até comprei um monte de coisas, mas como você não estava, acabei nem cozinhando.
— Se eu soubesse que tinha um jantar desses me esperando, não teria ido negociar projeto nenhum — Disse ele, com um leve riso na voz.
— Não — Corrigiu Ayla, suave. — Trabalho é mais importante. O que você quiser comer, a gente ainda vai ter muitas oportunidades.
Como o próprio Daniel costumava dizer, eles tinham muito tempo pela frente.
Ao lembrar disso, um sorriso escapou dos lábios dela.
— Onde você está agora? — Perguntou Daniel de repente.

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