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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 219

— Isso...

Gustavo franziu o cenho, sem conseguir responder de imediato.

— O quê? Vai me dizer que não quer? — Selina se sentou de súbito na cama.

O rosto que sempre carregava uma aparência saudável agora mostrava um cansaço real, abatido.

Ela agarrou a mão do filho com força.

— Se você tivesse que escolher entre a sua mãe e a Bianca... ia mesmo escolher ela?

— Mãe, por favor. Por que tem que falar uma coisa dessas?

Gustavo tentou acalmar a mãe, aflito. Conhecia bem o temperamento explosivo de Selina e temia que ela piorasse de novo.

— Eu sei que a Bianca também guarda mágoa da senhora. Mas fique tranquila. Eu vou conversar com ela, com calma.

— Com calma? Aquela desgraçada me odeia! Queria mesmo era me ver morta! Se ela realmente ouvisse o que você fala, eu estaria desse jeito? Ela teria levado nossos problemas para os ouvidos dos mais velhos da família?

As palavras de Selina saíam cruas, duras. Mas cada uma acertava em cheio o coração de Gustavo.

Por fora, ele e Bianca ainda mantinham uma imagem de família unida.

Mas depois que ela o traiu pelas costas, depois que passou a usar tudo como chantagem, algo entre eles se quebrou. Uma fenda difícil de fechar.

Nos últimos dias, Gustavo trabalhava até tarde todos os dias. Evitava voltar para a casa da família. No máximo, jantava com eles e via Thiago por alguns minutos.

Se não fosse pela ligação da mãe, naquela noite nem teria passado ali.

Depois de dez anos ao lado de Bianca, era a primeira vez que Gustavo sentia aquele tipo de cansaço, profundo, pesado, como se respirar ao lado dela tivesse se tornado difícil.

Ainda assim, havia uma dívida, uma promessa, um passado entre eles. Ele não conseguia simplesmente largar tudo.

Talvez fosse isso o amor. Às vezes vinha a crise, e o certo era resistir até passar.

Mesmo tentando consolar a mãe, mesmo mantendo a fachada de tranquilidade, ele também estava abalado por dentro.

Mais tarde, ao empurrar a porta do quarto de Bianca, viu Thiago correndo com uma pistola de brinquedo, atirando projéteis para todo lado. Um deles acertou bem no meio da testa de Gustavo.

— Thiago! — Bianca correu até ele e tirou a arma das mãos do menino. — Nada de apontar isso pras pessoas! Você acertou seu pai, peça desculpas agora!

Ao ver o pai, os olhos de Thiago brilharam. Jogou o brinquedo no chão e correu animado em direção a Gustavo.

— Papai! Me desculpa!

Gustavo se agachou devagar, o rosto sério enquanto encarava o filho.

Dessa vez, não levou a mão até o cabelo do menino. Nem o puxou para junto da mãe com aquele calor habitual.

Em vez disso, se lembrou de algo que Ayla dissera, muitos anos atrás:

"O temperamento de uma criança segue o dos pais. Mas a educação, essa pode ser moldada. Às vezes, ser firme é a única maneira de proteger."

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