— Para de seguir a Ayla. Vem comigo. — A voz de Bruno caiu como veneno doce. — Quer trabalhar direitinho? Quer dinheiro? Eu posso te dar os dois.
No segundo em que ouviu aquilo, os olhos de Rebeca se arregalaram.
A paciência, que já vinha por um fio, se rompeu de vez. Aproveitou um momento de descuido dele, empurrou-o com força e escapou de seus braços num impulso.
— Eu não vou trair a Ayla! — Gritou, a voz embargada. — Se você tentar me chantagear com o que aconteceu... eu vou te denunciar. Por estupro!
Bruno tinha tirado aquelas fotos íntimas deles dois.
Para Rebeca, que ainda mal entendia o que era amor, aquilo foi humilhante ao ponto de querer desaparecer do mundo.
Sabia, no fundo, que Bruno jamais teve qualquer interesse verdadeiro por ela. Tudo não passava de uma arma para atingir Ayla.
Passou a noite inteira em conflito, sem saber o que fazer.
Mas agora, diante do rosto cínico dele, tomou coragem.
— Ótimo. Pode me denunciar. — Disse Bruno, ajeitando as mangas da camisa sem olhar para ela. — Mas me diga... você tem alguma prova? Se isso virar um escândalo, quem você acha que aguenta o tranco? Você... ou eu?
A voz dele gelou de repente.
Dura, sem tom de brincadeira.
— Rebeca, vou te dar um tempo pra pensar. Pensa com carinho na sua mãe... no seu irmão. Ayla é só sua chefe, não é sua família. Ela não pode fazer muita coisa por você. Neste mundo, ninguém é obrigado a carregar ninguém. Se você não serve pra nada, vai ser descartada, ou virar o peso morto de alguém. Todo mundo tem que aprender a cuidar da própria pele.
Rebeca sabia: enfrentar Bruno sozinha era como bater contra uma parede de concreto.
Mas não esperou ele terminar. Ela virou as costas e foi embora.
Ao voltar para o salão, Ayla percebeu na hora que ela não estava bem.
Rebeca vinha esquisita o dia todo.
— Tá mesmo se sentindo mal? — Ayla se aproximou, preocupada. — Não se force, viu? Se quiser, pode ir pra casa.
— Tá tudo bem, Ayla... — Rebeca apertou com força a palma da mão contra a coxa, tentando se controlar. — Mais tarde queria conversar com você. Em particular.
Ayla assentiu, olhando-a com atenção.

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