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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 291

Nem o próprio Bruno sabia explicar por que acabava revelando pensamentos tão íntimos para alguém como Rebeca.

Mas, ao lado daquela garota, ele se sentia estranhamente à vontade.

— O Sr. Bruno vai conseguir tudo o que deseja.

A voz de Rebeca saiu baixa. Ela o olhava com atenção, e um sorriso quase imperceptível surgiu nos lábios.

Pensou ela:

"Era isso mesmo. Ninguém era inocente. Nem você, Bruno. Nem eu, que em breve faria você pagar o preço."

Ao perceber que ele tinha bebido demais, Rebeca estendeu a mão, afastou a garrafa à frente dele e serviu uma xícara de chá quente.

Entre o vapor que subia, o tom dela se tornou inesperadamente suave:

— Sr. Bruno, você já bebeu bastante. Toma um pouco de chá, vai ajudar.

Bruno a fitou com os olhos enevoados. De repente, estendeu a mão e segurou o pulso dela.

A palma estava quente demais.

Rebeca não recuou. Se deixou puxar, se inclinando levemente para a frente.

— Coelhinha... — Ele murmurou, sem perceber que deixava escapar o apelido que criou em silêncio. — Hoje você está cheia de perguntas.

— É mesmo? — Ela falou baixo. — Talvez seja porque faz tempo que não converso assim com alguém. Já está tarde. Vamos embora.

O cheiro de álcool misturado ao perfume amadeirado dele envolveu o ar. Rebeca franziu o cenho. A respiração leve passou rente ao rosto dele — sobrancelhas, nariz, canto dos lábios.

— Isso é jogo de recuar pra depois avançar? — Bruno semicerrrou os olhos. — Rebeca, eu tenho interesse em você. Não precisa me testar.

Ele parou no meio da frase, pensou por um instante, depois levantou a mão e contou nos dedos, erguendo três.

— Se você topar ir pra cama comigo, eu posso manter algo com você por... três meses. — O tom era preguiçoso, embriagado. — Mais tempo do que durou com muitas herdeiras mimadas com quem já saí. Pense nisso.

Enquanto falava, o polegar dele pressionava com força o pulso fino dela.

Rebeca não sabia mentir.

A aproximação e a resistência eram claras demais.

Diante dele, qualquer cautela ou cálculo que tentasse manter simplesmente não tinha onde se esconder.

O álcool subiu, e Bruno riu baixo.

— Se não tentar, como vai saber? — Disse ele. — Eu sou bastante sincero com as minhas mulheres.

— Fora da cama... e dentro dela também.

A última frase saiu quando ele se inclinou, esticando o corpo, e falou rente à orelha dela, parcialmente escondida pelos fios de cabelo.

Rebeca não sentia atração por Bruno. Aquele comentário carregado de insinuação apenas a deixou desconfortável.

— A sinceridade do Sr. Bruno se resume a três meses de relação?

A reação dela pegou Bruno de surpresa.

No que ele imaginava, uma garota tão inexperiente como Rebeca reagiria com vergonha ou com uma recusa meio vacilante e era justamente aí que estava a diversão.

Mas não.

Ela se mantinha firme, sem submissão nem afronta direta, como se estivesse, de fato, negociando.

Isso, ele não esperava.

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