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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 298

A mente de Gustavo era um turbilhão. Só existia Ayla. Não restava nele um traço de lucidez.

Já que não conseguiu entrar, decidiu esperar do lado de fora da empresa. Ficou parado bem na passagem por onde ela inevitavelmente sairia.

Ele precisava vê-la. Precisava falar claramente tudo o que sentia.

Queria que ela soubesse, da própria boca dele, que não estava ali para recuperar a empresa, muito menos pela família Siqueira. Estava ali por ela. Apenas para trazê-la de volta.

Depois de tantos anos juntos, nem ele conseguia cortar aquele sentimento de uma vez. Como Ayla poderia simplesmente apagar tudo?

Dessa vez, Gustavo apostou certo.

Naqueles dias, Ayla se dividia entre encerrar os assuntos do Grupo Siqueira e os compromissos no Grupo Fonseca. Pela manhã, ficava na Fonseca, à tarde, aparecia na Siqueira.

Assim que a silhueta dela surgiu na porta da empresa, algo reacendeu em Gustavo. Ele empurrou a porta do carro com violência e desceu quase correndo.

— Lalá!

Avançou alguns passos, mas antes de alcançá-la, seguranças que faziam ronda na região o seguraram pelos braços. Um dos guarda-costas que acompanhavam Ayla imediatamente se colocou à frente dela.

Ela virou o rosto. Do alto dos degraus da entrada, observou o homem que estava a menos de meio metro de distância.

Em apenas dois dias, Gustavo parecia outro.

Sempre vaidoso, obcecado pela própria imagem, surgia agora com a barba por fazer, o colarinho aberto, o terno amarrotado. Havia algo quebrado nele, um abatimento que transparecia no olhar opaco e no corpo desleixado.

A febre alta tinha cedido poucas horas antes, mas ele ainda estava fraco. A respiração vinha descompassada; o ar frio que puxou com ansiedade arranhou-lhe a garganta. Alguém o empurrou sem cuidado, e ele se curvou com uma tosse violenta. Gotas de suor frio brotaram-lhe na testa.

Mesmo assim, não recuou.

Ergueu os olhos para Ayla, implorando.

— Por favor... me deixe falar com você por alguns minutos. Eu sei que errei... sei que você nem quer me ver agora.

A voz falhava, mas ele insistiu:

— Mas pelo menos... pelo fato de que a gente já se amou.

O olhar de Ayla era puro gelo.

Ao vê-lo naquele estado, sentiu uma satisfação amarga — quase cruel. Ao mesmo tempo, uma melancolia silenciosa lhe atravessou o peito.

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