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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 565

A voz de Mafalda afundou.

Rebeca pareceu entender, enfim, o que ela não conseguia dizer.

— Porque o que te assusta de verdade é descobrir que ele nem foi.

A última camada de orgulho foi arrancada sem piedade.

Mafalda baixou a cabeça e ficou muda.

Rebeca apertou os lábios. Depois de alguns segundos, juntou as coisas sobre a mesa e limpou tudo.

— Vamos. Hora de voltar ao trabalho.

— Só isso?

Mafalda a encarou, surpresa.

Achou que Rebeca diria alguma coisa.

Talvez que ela estava sendo covarde, egoísta, pensando só em si mesma. Ou talvez tentasse consolá-la com alguma frase bonita.

Mas Rebeca apenas olhou nos olhos dela e sorriu de leve.

— A vida é sua. Não precisa entregar para outra pessoa o direito de julgar. Eu não posso resolver sua culpa por você. Também não posso te empurrar para uma decisão que só você pode tomar.

Ela fez uma pausa breve.

— Se você realmente achasse que ele não iria, não estaria tão presa nisso. E, se realmente não quisesse ir, não estaria pensando tanto.

Depois de dizer isso, Rebeca se virou e saiu primeiro.

Mafalda se levantou, mas não conseguiu evitar chamá-la.

— Rebeca... você também acha que eu fiz errado?

Rebeca parou por um instante.

— Nem tudo precisa ser dividido entre certo e errado. Mas, mesmo que você tenha errado, entre fugir e encarar... você sabe muito bem qual dos dois vai doer menos depois.

Ela sorriu de leve e, desta vez, foi embora sem olhar para trás.

Mafalda voltou os olhos para a janela.

Lá fora, a chuva caía pesada, como se quisesse esmagar a cidade. O céu parecia ainda mais escuro.

— Senhor, acho que a Srta. Mafalda não vem mais.

O tempo passava, minuto por minuto.

Ao lado de Nuno, o assistente que segurava o guarda-chuva não conseguiu se conter e falou mais uma vez, em voz baixa.

Já tinha insinuado aquilo algumas vezes, com todo o cuidado possível.

Mas Nuno continuava parado diante do cartório, imóvel, olhando fixamente para o fim da rua.

A água já se acumulava no chão. Os respingos subiam a cada rajada, encharcando a barra das calças dos dois.

— Que tal esperarmos no carro?

O assistente tentou de novo.

Nuno lançou apenas um olhar para ele.

Capítulo 565 1

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