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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 731

Só não imaginava que, no fim, o peão descartado seria ele.

Sem qualquer aviso, Carolina bloqueou todos os cartões e ativos aos quais Bruno tinha acesso. O capital dos negócios que administrava para ela ficou preso, sem previsão de retorno, e as dívidas logo começariam a se acumular.

Quando tudo desabasse, seria Bruno a carregar a culpa.

Ele precisava descobrir, com urgência, o que acontecia do lado de Ayla. Mas, se fosse direto até ela, dificilmente receberia qualquer ajuda.

Só restava Rebeca.

Bruno já chegava ao terceiro drinque quando ela apareceu no bar.

— Tem uma sala reservada? Quero um lugar mais tranquilo. — Rebeca foi direto ao ponto assim que chegou.

Sentado diante do balcão, Bruno a mediu com os olhos semicerrados antes de indicar a presença dela ao garçom com um movimento do queixo.

Pouco depois, a porta de uma sala privativa se fechou atrás dos dois, abafando o tumulto do bar. O silêncio que restou não trouxe conforto algum. Pelo contrário, deixou o ar ainda mais frio.

Foi então que Bruno notou a marca avermelhada no pulso de Rebeca.

— Ainda dói? — Seu olhar se demorou sobre o corte.

O gesto dela naquela noite realmente o assustou. Rebeca deixou claro que preferia morrer a aceitar qualquer envolvimento com ele.

A verdade era que aquilo o atingiu em cheio.

— Sr. Bruno, o senhor só pode estar brincando. Uma ferida que já cicatrizou não dói. — Rebeca respondeu sem emoção.

— A minha dói. — Bruno soltou um suspiro, mas o sorriso no canto da boca transformou a confissão em provocação.

A lâmina mal rompeu a pele, e o corte cicatrizou rápido. Ainda assim, a dor que sentiu ao olhar para aquela marca não era fingimento.

Rebeca não escondeu o desagrado e cortou o assunto.

— Sr. Bruno, o senhor não me chamou aqui para falar disso.

— E por que acha que eu chamei você? — Bruno devolveu a pergunta sem nenhuma pressa.

— Carolina. O senhor quer saber onde sua mãe está, não quer? — Rebeca foi direto ao ponto.

— Então veio até aqui só para me contar?

— Rebeca, não basta me ver cair? Precisa também me destruir por dentro?

— Sr. Bruno, só estou pensando no seu bem. — Rebeca suavizou a voz.

Ela também se inclinou sobre a mesa. Dessa vez, foi Rebeca quem encurtou a distância entre os dois.

— Não quero que, depois de tantos anos sendo manipulado, o senhor ainda termine pagando a conta no lugar da própria inimiga. Além disso, o senhor me ajudou tantas vezes. Isso não deixa de ser uma forma de retribuir, não acha?

A voz saiu leve, quase doce, mas cada palavra se cravou no peito de Bruno, afiada e impiedosa.

— Mimha... inimiga?

Os olhos de Bruno se tingiram de vermelho, e uma veia saltou em sua testa.

— Sim. Sua inimiga. O senhor nunca deixou de desconfiar, deixou? Foi Carolina quem matou seus pais. — Rebeca o contemplou com uma compaixão cuidadosamente ensaiada.

A garganta de Bruno se fechou.

A verdade da qual fugiu por tantos anos finalmente o alcançou.

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