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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 803

Ayla logo encontrou o celular de Rebeca sobre o armário do hall de entrada.

Ela o entregou à amiga, que ainda não se recuperou do choque. Rebeca pegou o aparelho quase por reflexo antes de perguntar:

— Ayla, você sabe que Carolina está tentando enganar você. Por que ainda vai fazer exatamente o que ela quer?

Ayla respirou fundo e deu um tapinha em seu ombro.

— Não se preocupe. Por Daniel, eu e ela precisamos resolver isso de uma vez por todas.

— Sandro não disse que o Sr. Daniel com certeza não está nas mãos deles?

Os olhos de Rebeca já estavam vermelhos de tanta aflição.

Carolina era extremamente perigosa. Em Eldoria, chegou ao ponto de contratar assassinos. Se Ayla negociasse com ela sozinha, nem sua segurança estaria garantida.

— Sandro não pode ter certeza absoluta. Só vou descobrir a verdade se colocar uma isca boa o bastante.

— Mas...

— Nada de mas. Não posso esperar mais. Não importa se Daniel está vivo ou morto nem onde se encontra. Preciso vê-lo agora.

Ayla a interrompeu com firmeza.

Rebeca franziu a testa e balançou a cabeça sem perceber. Sabia que, depois de Ayla tomar uma decisão, ninguém conseguiria detê-la.

Uma tristeza profunda invadiu seu coração.

— O Sr. Daniel não gostaria que você fizesse isso...

— Fique tranquila. Em San Elívar, Carolina não vai ousar fazer nada.

Ayla segurou o rosto de Rebeca entre as mãos e a consolou com suavidade.

Nesse momento, Enzo também voltou para prestar contas.

Ayla entregou Rebeca aos cuidados dele sem lhe dar chance de protestar e mandou que a levasse para casa.

Durante todo o trajeto, Rebeca não conseguiu parar de se preocupar com Ayla.

Tentou perguntar a Enzo sobre o assunto. Não ficou claro se ele já sabia de tudo, mas não permitiu que ela continuasse. Apenas afirmou que confiava na Sra. Ayla e que Rebeca não precisava se preocupar.

Para Rebeca, porém, Ayla era uma amiga muito importante.

Era também a fonte de sua força.

Ela não suportaria que alguma coisa acontecesse com Ayla outra vez.

De repente, Rebeca se lembrou de Bruno.

Sandro comentou que Carolina pagou a fiança dele e o tirou da prisão.

Assim que chegou em casa, Rebeca ligou para Bruno.

Já era tarde. Mas, ao pensar no perigo que Ayla enfrentaria no dia seguinte, não conseguiu se preocupar com mais nada.

Meia hora depois, assim que Rebeca entrou no saguão do hotel, alguém veio recebê-la.

Bruno já organizou tudo.

Ela foi conduzida até uma suíte luxuosa no último andar, com a cidade noturna se estendendo sob as janelas.

Quando entrou, Bruno estava numa banheira diante da parede de vidro, bebendo vinho enquanto contemplava a noite.

Ele virou o corpo de lado, e metade de seu torso se refletiu na janela.

O peito forte e musculoso ficava evidente, assim como as linhas particularmente sedutoras de seus braços.

Vários anéis modernos cravejados de pedras preciosas adornavam os dedos que seguravam a taça. Toda a sua aparência exalava o charme decadente de um playboy hedonista.

Talvez aquela imagem atraísse outras mulheres.

Em Rebeca, só despertava ainda mais repulsa.

Bruno conhecia muito bem os gostos dela.

Naquela noite, assumiu aquela postura justamente para provocá-la e causar desconforto.

Afinal, Rebeca usou e manipulou os sentimentos dele. Também ajudou Ayla e, com as próprias mãos, contribuiu para empurrá-lo em direção à morte.

O fato de gostar dela não o impediria de se vingar.

— Bruno, você sabe que Carolina matou seus pais. Por que ainda insiste em ficar ao lado dela e ser cúmplice de tudo o que faz?

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