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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 860

A notícia pegou Rebeca de surpresa. Ela ligou imediatamente para Bruno e seguiu direto para a mansão onde ele morava.

Ao chegar, encontrou a propriedade lacrada pelas autoridades.

A investigação contra Carolina ainda não chegou ao fim. Somente depois da apuração de todos os crimes e dos valores destinados às indenizações, a mansão seguiria para leilão.

O mordomo e os demais funcionários também foram dispensados. Bruno não poderia voltar para casa, nem mesmo por alguns dias.

Rebeca contemplou a residência que antes transbordava luxo e movimento. Agora, as portas seladas e o silêncio absoluto cobriam tudo com uma desolação difícil de ignorar.

Uma tristeza discreta atravessou seu peito.

Nesse momento, Bruno retornou a ligação.

— O que você quer?

A voz saía rouca, quase sem força. Ele não parecia nada bem.

Rebeca hesitou por um instante.

— Onde você está agora?

— O quê? Precisa de outro favor?

Bruno soltou uma risada amarga e tossiu de leve.

— Só que agora não tenho força para ajudar você com nada.

— Bruno, seus ferimentos são graves. Você não devia sair do hospital tão cedo. Me passe o endereço. Eu vou ver como você está.

A sinceridade em sua voz não deixava espaço para mal-entendidos.

Rebeca sabia que Bruno não tinha amigos a quem recorrer. Talvez ainda guardasse algum dinheiro, mas se recuperar sozinho, sem uma única pessoa por perto, parecia triste demais.

O tom de Bruno continuou carregado de provocação:

— Que milagre é esse? Você querendo me visitar? Não vai aproveitar para terminar o serviço, vai?

— Se não quer me ver, tudo bem. Mas, desta vez, estou sendo sincera.

Rebeca já se preparava para encerrar a ligação quando Bruno disparou um endereço:

— Rua Mirante Sul, 4567.

Uma tosse seca atravessou a linha.

— Ainda não comi nada. Se vai vir, não demore.

Por alguns segundos, Rebeca não respondeu.

— Não vou morrer.

Bruno tentou endireitar os ombros. O movimento saiu lento, e uma contração atravessou seu rosto quando os ferimentos reclamaram.

— Já que veio, faça alguma coisa para eu comer.

Como se não quisesse oferecer mais nenhum sinal de fraqueza, passou devagar por Rebeca, sem lhe dar tempo para comentar.

Ela observou a casa.

Apesar do tamanho, não havia mais ninguém ali. Nenhuma empregada, nenhum movimento.

Os móveis seguiam uma paleta de tons quentes. As flores não se limitavam ao jardim: vasos, folhagens e pequenos arranjos ocupavam os cômodos, espalhando vida por toda parte.

Nada naquele lugar combinava com Bruno.

Ainda assim, entre o perfume das flores, havia um leve cheiro de remédio e outro, menos agradável, de comida instantânea.

Rebeca olhou para a bancada da cozinha aberta.

Como imaginou, encontrou várias embalagens vazias que ninguém se preocupou em jogar fora.

— Foi só isso que você comeu ontem o dia inteiro?

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