"Giovana"
Eu peguei a pasta que a Hana me oferecia e abri. Eram documentos do banco, uma conta com uma boa quantia depositada. Aquilo era mais do que garotas como eu ganhavam de presente de aniversário e era totalmente inesperado. Era o suficiente para que eu construísse a minha vida com tranquilidade e conforto. Era um privilégio e eu tinha plena consciência disso, um privilégio que o Anderson e os irmãos não tiveram. Então quando as minhas lágrimas caíram sobre aqueles papéis elas significavam muito mais do que emoção pelo presente, elas significavam o reconhecimento da rede de segurança que eu sempre tive e que por isso eu sempre pude ter atitude sem medo de cair no abismo, mesmo que errasse.
Eu olhei para o Anderson e meu coração deu um nó, a minha liberdade foi me dada de presente, enquanto ele precisava lutar por cada centímetro da dele sem nunca reclamar. Eu tinha recebido o que o mundo nega para a maioria das pessoas: asas para voar sem medo de cair. Eu tinha consciência do quanto os meus pais trabalharam para conseguir o que tinham e agora eu estava recebendo do meu pai e da minha madrasta liberdade e validação, sem retirar da mesa o apoio incondicional.
- Liberdade vem com responsabilidade. - Eu falei olhando para os presentes e sequei as lágrimas para olhar para o meu pai e a Hana. - Eu não vou só morar nesse apartamente, eu vou honrar esse privilégio, vou ser digna dele. Eu vou ser tão grande quanto a oportunidade que vocês estão me dando!
- Acho que estamos sendo colocados pra fora, psicogato! - A Hana brincou, arrancando risadas entre as lágrimas.
- Eu amo vocês! Mas eu vou morar sozinha... passo para dormir algumas noites da semana na casa de vocês. - Eu abracei os dois bem apertado.
- Agora eu fiquei com ciúme! - O Bóris reclamou. - A Hana e o Rafael estão sempre na nossa frente, Rai!
- Isso é porque você não se organiza, Bóris e deixa tudo para a última hora. - Minha mãe reclamou com o namorado. - Posso dar o meu presente agora, Rafael?
Meu pai e a Hana se afastaram e e minha mãe me entregou outra pasta.
- Desde que você nasceu eu criei uma regra, de tudo o que eu ganhei na vida, uma parte eu depositei para você. Com o tempo o seu pai me convenceu de que seria melhor criar um fundo de investimento. É claro que ele tinha razão. Eu sei que a Hana te deu a canta bancária com dinheiro suficiente para você se sustentar até a faculdade.
- A Hana j**a dinheiro fora, mãe, ela é alérgica a ele. - Eu brinquei e a Hana me jogou um beijo rindo.
- É, isso é verdade. - Minha mãe sorriu. - Eu estou te dando o seu amanhã, Gi, para garantir que se tudo der errado, você ainda esteja segura. - Minha mãe engasgou. - Eu te deixei e foi a coisa mais difícil que eu fiz na vida, mas eu queria poder te proporcionar exatamente isso, segurança para o resto da vida. Eu sei que isso causou um afastamento entre nós e que agora nós estamos curando essas feridas, mas eu fui porque eu sabia que você estava segura com o seu pai. Eu fui, porque eu queria garantir que você estivesse segura quando nós não estivermos mais aqui.
- Mãe! Você nunca me deixou e eu entendi isso. Eu fui birrenta e mimada quando falava aquelas coisas horríveis para você. Mas eu entendi o que você fez e hoje, se eu estivesse no seu lugar, eu teria feito a mesma coisa, porque você me deu um pai incrível, você me deixou segura, protegida, amada. Eu te amo, mãe, sempre te amei, até quando eu gritava que não o meu coração se partia porque eu sempre te amei.
Eu passei as mãos no rosto da minha mãe, ainda tão jovem e tão linda, e a puxei para um abraço. Ela murmurou palavras de afeto no meu ouvido e desejos de uma vida plena e feliz. Quando ela me soltou o Bóris apareceu na minha frente como uma criança empolgada com o presente de natal.
- Minha vez, filhota! - Ele abriu um sorriso de orelha a orelha.
- Você nunca vai conseguir me superar, Bóris! - A Hana implicou com ele que soltou um "tsc" convencido.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...