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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Eu parecia estar caindo e prestes a me chocar contra um paredão de pedra. O silêncio que o Anderson deixou para trás foi o sinal de que a tempestade tinha passado, mas deixado destroços que eu não sabia se poderiam ser reconstruídos. A sala, que antes era o nosso refúgio de estudos e carinhos, agora parecia fria.

Depois de alguns minutos eu comecei a recolher os livros do chão, foi mais um gesto automático do que de quem pretendia arrumar algo. A D. Fátima ainda estava no sofá, se desmanchando em soluços silenciosos. A Bianca tinha se sentado no chão, encostada na parede, com o olhar vago.

- Ele nunca vai me perdoar. - A D. Fátima sussurrou, a voz envelhecida pelo cansaço. - Eu magoei o meu melhor filho para salvar o outro que...

- A senhora não fez por maldade, D. Fátima. - Eu falei, minha voz saindo mais dura do que eu pretendia enquanto colocava os livros sobre a mesinha. - Mas a senhora permitiu que o Felipe usasse o seu amor como arma para manipular o Anderson. E isso dói mais do que qualquer dívida de jogo.

- O Felipe está com medo, Giovana... - Ela tentou, mas eu a cortei com um gesto.

- Todos nós estamos com medo! - Eu explodi, sentindo as lágrimas finalmente virem. - O Anderson está lá fora, com o coração quebrado, dirigindo... sei lá pra onde, enquanto o Felipe está por aí, agindo de forma irresponsável, sem se preocupar com os outros, pensando apenas nele.

- Ele está doente, Giovana. - Ela me olhou com a dor exposta em seu rosto.

- Sim, D. Fátima, eu sei que o vício é uma doença. Mas e antes disso? E a mania de grandeza? E ele dizer que o Anderson o deixou na mão? Que não quer o irmão na formatura? Como a senhora justifica isso? Como a senhora justifica o fato de Felipe sempre achar que merece tudo, que o Anderson tem obrigação de tudo por ele?

- Giovana, você não é mãe. Você não entende. - Ela suspirou.

- O que a senhora acha que eu não entendo? Que uma mãe se preocupa mais com aquele filho problemático do que com o que é cauteloso e não se mete em confusão? Ah, D. Fátima, isso eu entendo, já ouvi tanto a minha avó dizer isso, e eu entendo mesmo que o filho que está com problemas precisa de um pouco mais de atenção. Mas eu não entendo como uma mãe pode ser injusta e prefere castigar um filho ao invés de colocar o outro na linha.

- Eu não tinha a intenção de prejudicar o Anderson. Mas eu estou apavorada. O Felipe foi ameaçado, ele precisa pagar a dívida...

- E a solução foi vir aqui, na véspera de um dia importante para o Anderson e tirar toda a paz dele. - Eu me sentei ao lado dela. - D. Fátima, eu não precisei de mais do que olhar para o Felipe para ver que tinha algo errado. E... de verdade, eu entendo que às vezes as mães fecham os olhos para pequenas coisas e outras vezes elas simplesmente não sabem o que fazer. Ser mãe não vem com manual, não é?!

- Não, não vem. E ser mãe de três, tendo ficado viúva tão cedo, foi muito difícil. Primeiro, o Anderson se envolveu com aquela mulher, ele assumiu as responsabilidades de casa e talvez isso o fez se achar homem feito quando ainda era um menino. Mas o Rubens estava lá e trouxe o Anderson de volta. Depois veio a crise de rebeldia da Bianca, noitadas na rua, festas, bebedeira, cada dia um namorado...

- Mas o Anderson estava lá e a trouxe de volta. - Eu suspirei. - E agora o Felipe. Mas a senhora não pediu ajuda para o Anderson antes que tudo se complicasse, está fugindo do Rubens. O Sr. Ary sabe de tudo isso?

- Não, ele não sabe. Se souber, eu acho que ele me deixa. - Ela deu um sorriso amargo. - O Felipe era um menino bom, Giovana, você sabe. Eu não sei o que aconteceu. Eu fiz de tudo, dei tudo, o preservei de tudo. Ele foi protegido da vida dura que o Anderson teve, ele teve oportunidade e eu achei que o caminho dele estava certo.

- Será, D. Fátima, que o problema não foi exatamente ele ter tudo? - Eu perguntei, mas não esperava uma resposta, porque na verdade, é impossível saber o que foi que deu errado quando alguém se perde. - No meu caso, eu tinha muita coisa dentro de mim, uma situação mal resolvida com a minha mãe... aí apareceu alguém e foi colocando mais coisas na minha cabeça até que eu caí naquele problemão. A minha mãe ainda acha que a culpa foi dela. - Eu dei um riso triste ao me lembrar. - Mas não foi. A culpa foi minha. Eu quis ser o que eu não era. Não acreditei na maldade do mundo até que ela me atingiu.

- O que isso quer dizer? - Ela me encarou.

- Quer dizer que a culpa não é sua. Talvez a senhora pudesse ter aceitado antes que tinha algo errado, mas as escolhas do Felipe não são culpa sua. Afinal, é a vida dele, ele precisa fazer as próprias escolhas. - Eu respirei fundo. - Mas a senhora, tentando proteger o Felipe, está causando muita dor no Anderson. E, me desculpe, eu entendo que a sua situação como mãe é difícil, mas a senhora não podia fazer isso com ele.

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