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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Eu era uma casca vazia. Eu já tinha chorado tanto que parecia anestesiada, incapaz de sentir qualquer coisa além de frio e vazio. O terno preto impecável que a minha mãe separou para mim e o batom vermelho eram apenas um disfarce que evidenciavam a polidez do meu rosto. Eu tinha passado a madrugada sentada no chão da sala, encarando uma porta que nunca abria.

Eu não consegui tomar o café, não consegui comer nada, o meu estômago rejeitava qualquer coisa que não fosse a ânsia ácida da ansiedade que aumentava a cada segundo.

A Raíssa ficou comigo a noite inteira, uma presença firme e silenciosa. Ela se sentou ao meu lado no tapete e segurou a minha mão. O Bóris até tentou, mas ele estava tão nervoso por mim que pegou as chaves e saiu, dizendo que ia procurar nos lugares em que ele ia com o Anderson e quando ele voltou às cinco da manhã, ele não precisou dizer que não tinha encontrado, apenas se sentou no tapete do meu outro lado e segurou a minha outra mão.

Eu liguei para o Anderson muitas vezes durante a noite, tantas que já tinha decorado a mensagem de que o número estava desligado ou fora da área de serviço. O silêncio dele era como a aproximação da morte para mim.

- Mãe, talvez eu deva começar a procurar nos hospitais... pedir ao Flávio que verifique as delegacias e o... - Eu solucei, não podia admitir isso, sequer podia pensar em uma tragédia.

- Gi, é o Anderson. Ele pode estar magoado, preocupado, triste, mas ele é um rapaz com a cabeça e o coração no lugar certo. Você vai engolir o choro e vai para a faculdade. Você não vai deixar os seus colegas na mão. Talvez op Anderson até esteja lá. - A minha mãe segurou o meu rosto entre as mãos.

- E se ele não estiver mãe? Ele vai perder o trabalho e sem essa nota ele vai direto para a prova especial e com a cabeça assim, talvez até reprove...

- Filha, se ele não estiver lá, você luta por ele e convence o professor a dar uma segunda chance. - A minha mãe tentava me das esperança, mas eu não conseguia mais do que me desesperar. - Levanta a cabeça, Giovana Maria, e faz o que precisa ser feito. Seja forte e lute por ele agora. Se você se sair bem, as chances do professor te ouvir são maiores.

Eu fui para a faculdade porque a minha mãe tinha razão, eu precisava ser forte e cumprir com as minhas responsabilidades. Eu cheguei à faculdade no automático. O Rui estava lá e se colocou ao meu lado, mas ele parecia carregar o peso do mundo também, a Bianca, agarrada a mão dele, não estava melhor do que eu.

Eu olhei para os amigos e a família ali, todos me ancorando na superfície. O Flávio e a Manuela, o delegado Bonfim, o Juiz Fabrício, os meus tios, a minha mãe e o Bóris, até a Renatinha e o Breno, todos ali e todos parecendo preocupados.

- Gi, eu ainda não consegui encontrá-lo, mas a minha equipe está revirando a cidade. Mas fica tranquila, ele está bem, eu verifiquei todas as possibilidades ruins. - O Flávio me segurou pelos ombros e falou olhando nos meus olhos. - Vem cá, amiguinha. - Ele me puxou para um abraço. - Respira fundo. Isso aqui é um treinamento, mas o mundo real não para quando o nosso mundo está desabando. Canaliza tudo isso que você está sentindo, sobe naquele palco e faz o seu melhor. Tenho certeza que o Gracinha não espera menos de você.

- Tá, eu vou me concentrar e... - Eu dei mais uma olhada em volta e meus olhos pararam na minha mãe. - Cadê o meu pai e a Hana?

- Gi, seu pai trabalhou a noite toda, ele foi cobrir o Anderson no bar. Ele deve estar descansando. A Hana deve estar com ele ou tinha algo importante no hospital. - O Tio Rubens me avisou.

Nós entramos no auditório lotado. A Maya já estava lá, ocupando o lugar da promotoria com um sorriso vitorioso, como se tivesse ganhado na loteria.

- Parece que o aluno estrela desistiu, não é, Giovana? - Ela debochou. - Amarelou na última hora.

Eu não respondi. Não havia "ferinha" em mim. Eu me sentei no lugar marcado para a assistência de acusação, com o Rui ao meu lado e os meus olhos fixos na porta. O professor Antunes se aproximou de mim.

- Giovana, onde está o Anderson? Está na hora de começar. - O professor me olhava tenso.

- Professor, o Anderson... - Eu engasguei.

CASAL 2 - Capítulo 106: Precisamos começar 1

CASAL 2 - Capítulo 106: Precisamos começar 2

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