"Giovana"
Eu queria arrastar o Anderson para fora e resolver a nossa situação. Eu queria que ele me abraçasse e dissesse que estava tudo bem. Mas não havia tempo para os nossos problemas naquele momento. O professor Antunes deu início formal aos trabalhos com a escolha do corpo de jurados entre os alunos que ele havia selecionado, o Anderson aceitava ou dispensava cada jurado com a postura rígida. Enquanto eu estava na mesa ao lado pensando em fugir dali. Mas, por menos que eu quisesse, eu tinha a obrigação de estar ali.
O Anderson não me olhava. Ele organizava os papéis sobre a mesa com uma precisão cirúrgica, os dedos longos e firmes. Eu não fui digna nem de um olhar, enquanto a Maya aproveitava a sua condição de assistente para ficar muito perto dele, tocá-lo e cochichar no seu ouvido. Cada vez que ela se aproximava dele, ela sorria de forma maliciosa para mim. Eu me sentia uma estranha e, por um momento, eu tive a sensação de que a Maya finalmente tinha conseguido roubá-lo de mim.
- A acusação tem a palavra. - Anunciou o professor.
O Anderson se levantou. A postura era ereta, o queixo erguido. Ele começou a falar sobre o crime, sobre a quebra de confiança e sobre como a justiça não deve ser cega à má-fé. Cada palavra que saía da boca dele sobre o réu parecia ter um endereço indireto: eu e o Felipe.
- Dra. Giovana... - Ele disse, sem se virar para mim, a voz impessoal. Qualquer um diria que ele já era um promotor. - Poderia apresentar o anexo quatro para o conselho de sentença e explicar do que se trata?
Aquilo me atingiu como um tapa. Um "Dra. Giovana" frio, o meu nome soando como um remédio amargo. Onde estava o meu Gracinha? Eu me levantei, as mãos tremendo levemente ao segurar a pasta.
- Sim, Promotor. - Eu respondi, tentando espelhar o seu tom profissional enquanto o meu interior gritava de agonia.
O Júri seguiu em um ritmo frenético. O Anderson estava dando um show. Era lindo de ver a paixão com que ele abraçou aquela causa. Ele queria ser delegado, mas ele era um promotor nato. Contudo, havia uma agressividade nova ali, uma sede de ordem que vinha da desordem que as nossas vidas tinham se tornado nas últimas horas. A Maya, no canto, assistia a tudo com um misto de inveja e fascínio, percebendo que, mesmo magoado, o Anderson era imbatível.
Quando o professor anunciou o intervalo de vinte minutos, o Anderson me deu as costas e foi direto ao Flávio. Eu dei um passo na mesma direção, mas o Flávio me fez um sinal discreto para não me aproximar. Eu saí dali quase correndo, ignorando os olhares curiosos dos colegas. A esta altura a faculdade inteira já sabia que havia algo errado entre o Anderson e eu, afinal, ele nunca era frio comigo.
Eu encontrei a Hana perto da janela do corredor, ao lado dela a minha mãe, a minha tia e a Manuela.
- Hana! - Eu me aproximei com a voz embargada. - O que aconteceu? Por que você não me avisou que ele estava com você? Eu quase morri!
A Hana se virou devagar. O rosto dela estava sereno, mas os olhos carregavam a sabedoria de quem já sobreviveu a muitas tempestades.
- Porque ele pediu, Gi. Ele precisava de um lugar seguro longe de todo mundo. Ele precisava pensar. Eu não te traí, Gi. Mas eu também não poderia traí-lo. Você me entende? - A Hana falou devagar, me dando tempo para absorver cada palavra.
- Ele nunca vai me perdoar, não é? - Eu perguntei, já não podendo mais segurar as lágrimas.
Pelo canto do olho eu vi a Bianca se aproximando com o Rui e a D. Fátima. Eu não podia sustentar mais nada agora e eu não queria dizer para ninguém que tudo ficaria bem quando o meu mundo estava desabando.
- Eu só queria protegê-lo! - Eu balbuciei e quando a Hana tentou me abraçar eu saí correndo.
Eu dei a volta no prédio e me encostei na parede dos fundos de olhos fechados. Ninguém ia ali. Eu só precisava respirar antes de voltar para terminar aquele trabalho e depois eu poderia ir pra casa e me trancar lá pra sempre com o meu coração partido.
- Eu estudei aqui, sabia?! - Eu ouvi aquela voz que parecia ter sempre um sorriso. Era uma voz tão gentil para o delegado implacável que ele era.
- Isso já deve fazer bastante tempo. - Eu abri os olhos e virei a minha cabeça para o lado, olhando para o Delegado Bonfim encostado ali com as mãos no bolso.
- Se estiver me chamando de velho eu vou te dar voz de prisão por desacato, Quebra-quebra. - Ele se virou para mim com o sorriso largo.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Pq está travado, não consigo ler os próximos capítulos, depois do 265 Que inclusive é a parte da giovana...
Por que o livro da Giovana e do Anderson está ficando em meio ao livro do Jose Miguel e da Eva. Ficou muito bagunçado isso...
Faltou apenas os três últimos capítulos completos, poderiam liberar ne?...
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...