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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Eu passei por todos em silêncio, com o rosto composto em uma máscara de seriedade e compostura que contrastava com tudo o que eu estava sentindo. Eu não olhei para o Anderson. Nem uma vez.

- É, parece que ele cansou de você, caloura. - A Maya se aproximou por trás e falou no meu ouvido. - Chegou a minha vez.

Eu não respondi, não olhei para ela, mas a raiva cresceu em mim acima de todas as outras coisas que eu sentia. Era tudo o que eu precisava e eu descarregaria toda a minha raiva e frustração naquele juri simulado.

Durante as duas horas seguintes de debates, réplicas e tréplicas, eu mantive meu foco nos jurados e no professor Antunes. Eu defendi aquele caso como se a minha vida dependesse dele, como eu fosse a vítima exigindo justiça. O Anderson estava ali, a poucos metros, e eu sentia a presença dele como se fosse um campo magnético, mas não permiti que meus olhos desviassem do meu objetivo. Se ele queria distância, eu lhe daria um oceano.

Quando o conselho de sentença se retirou para a sala secreta, o auditório mergulhou em um murmúrio ansioso. Eu comecei a organizar meus papéis com movimentos lentos e precisos. O Anderson se sentou ao meu lado na mesa da acusação. Tão perto, nossos braços quase se tocando. Por um segundo, o silêncio entre nós gritou mais alto que todo o falatório ao redor.

- Dra. Giovana. - Ele disse, com aquela voz impessoal que me cortava o coração como garras afiadas. - A sua explanação sobre as provas foi fundamental. Parabéns.

- Obrigada, Promotor. - Eu respondi, sem sair do personagem, sem olhar para cima, fechando o zíper da minha pasta. - Eu apenas terminei o que comecei.

Eu abri um livro e comecei a fingir que lia qualquer coisa, até que o professor voltou com os jurados e os demais professores.

- Todos de pé. O réu foi considerado culpado em todas as acusações. - O professor fez questão de usar cada detalhe da formalidade que um juri exigia e leu os quesitos, as votações e todo o resto da parafernalha que já não me interessava. - Vitória da acusação. As notas serão lançadas no sistema. Vocês estão dispensados. - Ele finalizou.

Eu apenas respirei fundo, sentindo um peso sair das costas, mas o peso no coração continuava lá. Houve comemoração e pelo canto do olho eu registrei o momento em que a Maya se jogou no pescoço do Anderson. Depois disso eu fiquei cega, me levantei bruscamente e saí apressada daquele auditório.

- Giovana. - Eu registrei a voz do meu pai chamando, mas eu não parei. Agora quem precisava de silêncio era eu.

Eu bati a porta do meu carro e liguei o motor imediatamente, saindo do estacionamento como se fugisse de um ataque zumbi. Pelo retrovisor eu vi alguns rostos conhecidos ficando para trás, agitando os braços. Mas nenhum deles era o Anderson. As lágrimas finalmente caíram dos meus olhos enquanto eu acelerava. Por que era tão difícil para ele entender que eu só queria cuidar dele?

O telefone tocava incessantemente na minha bolsa. Eu parei no semáforo e peguei sentindo um lampejo de esperança, mas não era ele. Era o meu pai.

- Agora não, pai! - Eu supliquei quando atendi.

- Giovana, eu sou o seu pai e é bom você não desligar na minha cara. - Ele avisou. - Onde você está?

- Vou dar uma volta.

- Giovana, estão todos indo para o bar para comemorar a vitória de vocês. O bar vai abrir mais cedo só para vocês. Você tem que ir para lá. - Meu pai falou calmamente.

- Eu não vou. Você sabe porque. E você vai respeitar isso. - Eu estava chorando e não escondi isso.

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