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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Anderson"

Eu olhei para o Flávio, mas não vi o delegado ou o amigo, vi apenas mais uma pessoa esperando que eu tivesse uma solução lógica para um problema que não era meu. O silêncio se arrastou pelo corredor do auditório, pesado o suficiente para sufocar. Não havia mais ninguém ali além de nós, mas eu me sentia totalmente exposto e vulnerável.

- Eu não perdi o juízo, Flávio. - Eu respondi, a minha voz saiu mais calma do que eu imaginava e os meus ombros cederam a todo o peso que eu sentia sobre ele. - Eu estou colocando um ponto final nessa situação. Eu estou cansado. Na verdade, eu estou exausto de ser quem cuida de tudo, de todo mundo. Estou cansado de ser só o caixa eletrônico. Tão cansado... que eu acabei descontando em quem não devia.

A minha mãe deu um passo atrás, os olhos fixos na chave do carro que eu havia depositado em sua palma, as lágrimas finalmente transbordando. Ela parecia subitamente menor, frágil, esmagada pelo peso da própria cegueira materna. Mas eu não tinha mais forças para carregá-la no colo.

Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, o Flávio deu um passo à frente. O terno que ele usava parecia apertado demais para a postura de autoridade que ele assumiu. Com um movimento firme, ele estendeu a mão e pegou a chave da palma da minha mãe e a colocou contra o meu peito.

- Pega isso de volta, Anderson. Agora! - O Flávio ordenou, a voz sem margem para contestação, a autoridade do Delegado Moreno exalando por cada poro. Eu tentei recusar com um gesto, mas ele praticamente forçou o metal contra o meu peito. - Você não vai entregar o seu carro para ninguém, muito menos vai entregá-lo para sustentar um viciado em jogo. Você não deveria ter dado um centavo. E o senhora D. Fátima, não se atreva a usar um centavo desse dinheiro com o Felipe, eu estou avisando como amigo.

- Flávio, o meu filho, o Felipe... ele precisa desse dinheiro. Eles vão matá-lo. - A minha mãe gaguejou, tentando recuar.

- O Felipe, D. Fátima, é um jogador compulsivo! - A voz do Flávio ecoou pelo corredor. - A Bianca tem toda razão, esse dinheiro não vai resolver nada e se a senhora der o dinheiro do Anderson para ele, eu vou ter que prender os dois! Me dá o seu celular, Anderson. - O Flávio pegou o celular da minha mão, ignorando o soluço da minha mãe, e procurou um contato com fúria. - Bittencourt? Como vai? Flávio Moreno. Você recebeu uma ordem de transferência do fundos do Anderson Cavalcante? - O Flávio ouviu. - Não, pode parar agora, não transfira nada. Rasgue essa ordem e finja que nunca aconteceu. E se ele mandar outra, ignore! - O Flávio me encarou. - Ele está de cabeça quente com um problema de família. Te explico pessoalmente. Obrigado.

O Flávio me devolveu o celular, os olhos dele queimando em mim, mas não de raiva ou de reprovação, era como se ele me olhasse me chamando à razão.

- Flávio, eu cansei de ter razão, só quero ter paz. - Eu falei, mas ele balançou a cabeça.

- Você está de cabeça quente. Precisa parar. Sabe onde o Felipe está neste exato momento? Dentro de uma casa de pôquer clandestina, apostando.

- Impossível! Ele não tinha dinheiro. - A minha mãe reagiu.

- Mas ele arrumou. Ele vendeu um notebook numa dessas lojas de usados e foi jogar. E eu sei disso porque tenho um policial de olho nele. Eu estou de olho nele para mantê-lo seguro, porque a Giovana pediu para ajudá-lo. - O Flávio encarou a minha mãe.

- Ah, meu Deus! - Minha mãe se encostou na parede. - Ele vendeu o próprio computador... ele precisava dele para a faculdade.

- Eu mandei recuperá-lo. - O Flávio avisou. - O Felipe saiu de controle, não é dando dinheiro que a senhora vai ajudá-lo, D. Fátima. O Felipe está viciado em jogo e metido com agiotagem pesada, o tipo de gente que mata e continua cobrando a dívida da família. O buraco é muito mais embaixo do que a senhora quer entender. Nenhuma quantia que o Anderson der vai resolver isso. Só vai afundar mais o Felipe e destruir o filho que sempre se preocupou com a família. - A voz do Flávio era severa, carregada de autoridade.

- Não é assim, Flávio... ele me disse que está arrependido, ele vai tomar jeito. - A minha mãe respondeu com a voz totalmente embargada.

Foi o estopim. A Bianca soltou um riso histérico que fez todos olharem para ela.

CASAL 2 - Capítulo 110: Para onde cada um vai 1

CASAL 2 - Capítulo 110: Para onde cada um vai 2

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