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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Eu não sabia que amar podia doer tanto. E que o silêncio pudesse ser sentido como um peso que eu não conseguia carregar. O Bóris me trouxe para casa, tentou me acalmar dizendo que o Anderson e eu nos entenderíamos, deixou que eu chorasse no ombro dele e, enquanto eu tomava banho e vestia o moletom enorme do Anderson, ele fazia sopa na minha cozinha, porque de acordo com ele, sopa deixava o coração quentinho.

Ele passou metade da noite abraçado comigo no sofá. Já era tarde quando eu o convenci a ir para casa no andar de cima, dizendo que ia dormir. Mas eu não dormi, eu estava exausta, mas eu não consegui dormir.

Depois que o Bóris saiu, eu voltei para o sofá, com os olhos bem abertos encarando a porta, torcendo para que o Anderson entrasse por ela e dissesse que estava tudo bem. E enquanto eu olhava para a porta, ela se transformou em um telão e a minha mente projetava lá tudo o que tinha acontecido na faculdade, o olhar gélido do Anderson, a distância que ele impôs entre nós e, a pior parte, a Maya se jogando no pescoço dele no final. E ele aceitando o abraço dela.

Aquilo tinha sido o golpe final para mim e se eu ficasse mais um segundo ali, eu iria desabar na frente de todo mundo. Mas eu ainda tinha um resto de orgulho se evaporando e fugi antes que todos pudessem me ver desmoronar. O Bóris tinha me resgatado, me trazido para casa em silêncio e respeitado o meu espaço. Mas o espaço, agora, parecia grande demais.

Por volta das seis da manhã, enquanto eu olhava para a porta, a tela do celular acendeu com uma mensagem do Bóris. Ele me fez ligar o celular antes de sair, disse que só iria se tivesse certeza de que conseguiria falar comigo. Eu não podia me recusar a atendê-lo, não depois do apoio que ele me deu e do carinho.

“Gi, abre a porta do seu apartamento. Agora. Confia em mim e não faz barulho. Só abre.”

O meu coração deu um salto violento no peito. A mensagem do Bóris me pareceu aflita. O que será que tinha acontecido? Será que a minha mãe estava bem? Meu Deus, eu não daria conta de mais um problema, não enquanto eu ainda nem conseguia lidar com a ausência do Anderson. As minhas mãos tremeram enquanto eu caminhava descalça até a porta.

Eu prendi a respiração, girei a chave com cuidado para não fazer alarde e puxei a porta devagar. Eu esperava ver o Bóris preocupado ou aflito. Mas o corredor estava vazio na linha dos meus olhos. Foi só quando olhei para baixo que o meu mundo inteiro balançou. O Anderson estava ali.

O homem responsável, que sempre andava com os ternos perfeitamente alinhados, estava sentado no chão, com as costas apoiadas na parede e os joelhos dobrados. O paletó do dia anterior estava amassado, a gravata frouxa e o cabelo, geralmente bem penteado, estava totalmente desalinhado. Ele levantou a cabeça, o impacto do olhar dele quase me fez perder o equilíbrio. Os olhos dele estavam vermelhos de exaustão, com olheiras profundas aob eles, e carregavam uma vulnerabilidade que era antinatural para ele.

Por que ele não tinha usado a chave dele? Ele tinha preferido passar a madrugada no chão frio a entrar e falar comigo. Será que ele ainda estava em dúvida sobre me encarar? O que ele estava planejando me dizer? Meu coração estava disparado.

Nós ficamos nos encarando pelo que pareceu ser tempo demais. E naquela troca de olhares tudo o que tinha acontecido, ou melhor, toda a distância e o silência dele, a raiva, a mágoa... tudo parecia ridículo diante do estado em que ele se encontrava. E não devia estar muito melhor. Um nó gigante se formou na minha garganta.

- Anderson... - O meu sussurro saiu quebrado, a voz quase sumindo no corredor vazio. - O que você está fazendo aí?

Ele engoliu em seco e se levantou devagar. O corpo dele parecia pesado, rígido pelo tempo passado no chão. Ele deu um passo acanhado na minha direção, parando na minha frente, mas ainda fora do meu apartamento. Havia uma distância dolorosa entre nós. Eu queria abraçá-lo e esquecer tudo o que tinha passado, mas o receio de dar o passo errado me manteve parada onde eu estava.

- Eu não consegui ir para casa, Gi. Não sem falar com você e resolver essa situação. - A voz dele saiu rouca, cansada, carregada de tudo o que ele devia ter guardado no peito nas últimas horas.

- Você tem a chave, por que você não entrou? - Eu falei num sussurro.

- Porque eu não sei se você me quer aí dentro.

- Foi você quem se afastou, Anderson. - Eu deixei sair num soluço magoado.

- Por isso mesmo, Gi. Eu não tinha o direito de invadir. - Ele respirou fundo, passando as mãos nos cabelos e os desgrenhando ainda mais. - Eu passei a noite no bar. Eu falei com o seu pai, o Rui, o Rubens e o Flávio. Mas eu não estava realmente lá. Eu só conseguia pensar em como eu fui um imbecil com você hoje.

CASAL 2 - Capítulo 113: Quem dá o primeiro passo 1

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