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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

O Anderson deu dois passos para trás, abrindo a porta da sala de triagem e indicando o corredor com a cabeça. O Felipe se levantou devagar, os ombros caídos. Eu caminhei logo atrás do Anderson, mantendo a minha mão firmemente enlaçada na dele. Cruzamos o corredor em um silêncio denso até chegarmos ao balcão principal da recepção, onde o Flávio e o Bonfim nos aguardavam.

- Ah, que pena, o rapaz já vai embora, Moreno? - O Bonfim fingiu decepção quando saímos da sala de triagem. - Logo agora que o pessoal da cela três estava organizando o rodízio da faxina, mandei colocar o seu nome no topo da lista.

O Felipe arregalou os olhos, mas não se atreveu a responder. Ele parecia ter um pouco de medo do Bonfim, o que me deixou curiosa.

O Bonfim pegou um saco plástico que estava sobre o balcão e o jogou na frente do Felipe com um barulho seco. Lá dentro estavam o cinto, os cadarços dos tênis dele e a carteira.

- Deixa eu te dar um conselho de amigo, garoto. O Flávio vai te liberar na camaradagem hoje, mas se eu fosse você, passava bem longe de baralho, dominó, damas e até jogo de adivinhação. - O Bonfim se aproximou e segurou o Felipe pelos dois ombros. - Sabe por quê? O pessoal que mexe com jogatina clandestina, não gosta muito de quem sai da banca sem pagar e eles espalham a notícia, sabe?! E você saiu sem pagar ontem. Então fica longe dessa confusão, garoto, para não acabar virando estampa de saudade em camisa de torcida organizada. Seria um azar danado, sabe? - O Bonfim deu dois t***s um pouquinho fortes nas costas do Felipe que o arremessaram para frente. - Se cuida por aí. E não deixa eu te pegar de novo, ou você vai dar faxina nas celas com uma escova de dentes.

O Felipe empalideceu ainda mais, engolindo em seco enquanto enfiava o cinto nas passadeiras da calça com as mãos trêmulas. Ele olhou para o Flávio buscando algum socorro ou que ele dissesse que o Bonfim não faria aquilo, mas o meu amigo apenas tomou um gole da sua caneca de café e deu de ombros, sustentando a farsa do parceiro com uma seriedade impecável.

- Tá-tá bem... eu acho... - O Felipe olhou para o Bonfim com os olhos arregalados, eu acho até que ele tremeu um pouco. Toda a marra e valentia ficando esquecida, como se ele fosse só um filhote de poodle que late, mas se encolhe quando batem o pé.

- Obrigado por tudo, Flávio. Obrigado, Bonfim. - O Anderson agradeceu, apertando a mão dos dois com uma firmeza e um alívio que ele não demonstrava há horas.

- Que isso, Gracinha, a gente está aqui para essas coisas. Só não esquece de fazer o que eu te falei sobre a recompensa com a Gigi depois, hein? - O Bonfim bateu de leve nas costas do Anderson, fazendo uma última graça antes de pegar a sua pasta e se despedir. - Se cuidem, crianças. Qualquer pisada fora da linha do rapaz aí, é só me ligar que eu mando buscar para faxinar da carceragem. Aquelas latrinas estão horríveis.

- Anderson, aqui, o computador do rapazinho aí. - O Flávio entregou o computador do Felipe que ele havia resgatado. - Sugiro que você dê uma olhada antes de devolver. E as chaves do carro.

- Ah, eu vou fazer isso. E quanto eu te devo por isso? - O Anderson perguntou.

- Não deve nada, Anderson. E antes que você comece a reclamar, sópensa, nós somos amigos, amigos se ajudam. Agora vai, coloca esse moleque na linha. - O Flávio se despediu de nós.

Nós nos despedimos do Flávio e do Bonfim. Estava na hora do Felipe encarar o resto da família, tentar se explicar e aceitar o que eles exigiriam dele, para o seu próprio bem.

- Me encontra na casa do Ary, Ferinha, eu vou levar o carro do Felipe. - O Anderson entregou a chave do carro dele.

- Eu posso levar o meu carro, Anderson. - O Felipe reclamou.

- Você não pode nada! E se for começar a fazer gracinha vai voltar lá para dentro e limpar os banheiros do Bonfim. - O Anderson encarou o Felipe seriamente. - Acabou a mordomia, Felipe.

- Obrigado. Eu aceito isso... na verdade, eu preciso. - O Anderson declarou. - É cansativo ser o "irmão provedor com funções de pai".

- Eu entendo. E você está deixando esse papel hoje. Você agora vai cuidar de si mesmo e se precisar de ajuda para isso eu estou aqui. - O Sr. Ary colocou a mão sobre o ombro do Anderson e eles trocaram um olhar que dizia mais que as palavras.

- Aqui, o computador do Felipe. O Flávio conseguiu de volta e disse para darmos uma olhada antes de devolver. - O Anderson entregou o computador para o Sr. Ary. - E o Felipe concordou com a reabilitação.

- Ótimo! Porque eu andei verificando as mentiras do Felipe ontem. - A forma como o Sr. Ary falou e olhou para o Felipe, me deixou apreensiva. - Eu já sei de tudo, Felipe, mas eles ainda não. Você conta ou eu conto?

O Felipe olhou para o Sr. Ary aterrorizado.

- Ainda tem mais? - O Anderson perguntou.

- Nada que não possamos dar um jeito, mas você não vai gostar. - O Sr. Ary nos fez sentar. - Eu fui até o trabalho do Felipe, aquele que o mandaria para outra cidade. Acontece que o contrato de estágio dele se encerrou há meses e ele não tinha uma proposta de trabalho em outra cidade.

- Não acredito. - O Anderson sibilou, esfregando o rosto.

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