Entrar Via

Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Anderson"

O instinto de proteção e a memória de todas as mentiras que ele já tinha me contado tentaram assumir o controle, mas o rapaz diante de mim não tinha aquele olhar manipulador e cínico de antes. Ele parecia... menor, indefeso. Era só um garoto tentando se manter de pé.

- Felipe? - A minha voz saiu cautelosa e eu fiquei de pé.

- Oi, Anderson. Gi. - Ele olhou para a minha namorada com um aceno tenso, mas respeitoso, antes de voltar os olhos para mim. - O Ary me trouxe. Ele ficou lá embaixo no carro esperando. Eu pedi para subir rápido porque... eu precisava falar com você. Prometo que é rápido.

- Entra, Felipe. - A Giovana sorriu e fechou a porta. - Por que a pressa? Eu estou assando um bolo. Vou lá chamar o Ary.

- Não, Gi, outro dia. O Ary e eu estamos indo para uma reunião do grupo de apoio dos jogadore anônimos. - O Felipe comentou de cabeça baixa.

- Felipe, levanta a cabeça. - A Giovana falou de repente. - Encara de frente, cunhado. Você errou, mas está tentando consertar. Sabe uma coisa que meu pai me ensinou? Não importa o tamanho da vergonha, encare de frente, olhe nos olhos do outro, mesmo que você esteja coberto de vergonha, sem saber exatamente o que dizer, olhe nos olhos. Os olhos são a janela da alma, eles mostram o nosso arrrependimento e a nossa sinceridade.

- É que eu acho que eu nem sou digno de falar com vocês... eu fui um idiota, mimado. Eu fiz a minha mãe se chatear com você... - A voz do meu irmão estava carregada de arrependimento.

- Olha nos meus olhos, Felipe. - A Gi exigiu e ele ergueu a cabeça e a encarou. Ela abriu o sorriso para ele. - É isso aí! Nós dois demos uma voltinha no fundo do poço. É uma merda! Mas a medida que a gente vai subindo de volta a superfície, a gente descobre que tem um céu azul lindo brilhando pra gente e a gente valoriza muito mais esse céu.

- Você sabe como é, né?! Ser cruel com as pessoas que te amam e que você ama. Achar que o mundo inteiro está contra você. Ser comido pela arrogância... - O Felipe deu um pequeno sorriso para ela. - Mas você era só uma adolescente.

- É, eu sei como é. Eu fui uma peste. - A Giovana revirou os olhos. - Eu era mais nova do que você é agora, mas no fundo eu sabia que estava errada. E você também sabia. Mas o importante agora é seguir em frente e deixar o fundo do poço pra trás.

- Me desculpa, Gi? - O Felipe soltou de repente.

- Eu desculpo. E prometo que sempre que você for um idiota eu vou estar lá para te colocar nos eixos. - A Giovana riu e puxou o Felipe para um abraço. - Eu vou deixar vocês conversarem. Olha nos olhos, Fê. Manda um beijo para o Sr. Ary e para a sua mãe.

A Giovana foi em direção ao quarto e o Felipe deu mais dois passos para dentro da sala, visivelmente desconfortável, mas havia uma postura diferente nele. O pulso firme do Ary na reabilitação e o choque de realidade da delegacia pareciam estar funcionando. Mas ele me encarou.

- Eu não vou tomar o seu tempo. A Bianca disse que você estava aqui, por isso eu vim. Mas foi bom ver a Gi. - O Felipe começou, a voz oscilando de leve. - Eu só... eu queria te dizer que comecei as reuniões do grupo de apoio na semana passada. O Ary está indo comigo, ele disse que irá em todas elas. É difícil para caralho, Anderson. Ter que encarar tudo o que eu fiz sem poder inventar uma mentira ou fugir é a pior coisa que já passei. Mas eu estou indo. De verdade. Sem truques.

Eu fiquei olhando para o meu irmão. O amor que eu sentia por ele lutou contra o medo de ser enganado outra vez. Mas o olhar dele era limpo e eu sabia que ele realmente estava levando a sério a reabilitação, o Ary me contava tudo.

- Fico feliz em ouvir isso, Felipe. De verdade. - Eu respondi, deixando a honestidade transparecer na minha voz.

- E eu queria... - Ele engoliu em seco, os olhos marejando. - Eu queria te pedir perdão, cara. Por tudo. Pelas mentiras, pelo notebook, por ter feito você se sentir um caixa eletrônico que só servia para me dar dinheiro e consertar as minhas merdas. A Gi me disse umas verdades na delegacia que quase me mataram, mas ela estava certa. Eu fui um covarde. E você salvou a minha vida tantas vezes que eu perdi a conta. Me perdoa, irmão?

- Eu desejei ver o meu irmão formado tanto quanto eu desejo me formar. - Eu falei.

Com os dedos levemente trêmulos, eu rompi o lacre do envelope e puxei o convite. No verso, preenchendo o espaço em branco, havia uma mensagem escrita à mão com a caligrafia apressada do meu irmão.

Tentei ler em voz alta para a Gi, mas a minha voz quebrou logo na primeira frase e eu precisei respirar e recomeçar:

"Para o meu irmão, Anderson. Durante anos, eu achei que você era o meu maior obstáculo, o cara certinho que estragava a minha diversão. Hoje eu sei que você foi o meu escudo. Você sacrificou a sua juventude, os seus sonhos e o seu próprio dinheiro para manter a nossa família de pé e para me dar uma chance de ter um futuro, mesmo quando eu fazia de tudo para jogar essa chance no lixo. Se hoje eu posso me formar, é porque você carregou o peso do mundo nas costas para que eu pudesse caminhar. Você não é só o meu irmão mais velho, Anderson. Você tem sido o meu pai por muito tempo, o pai que me sustentou financeiramente e emocionalmente, o pai que segurou a minha mão nos momentos difíceis e que ficou na cabeceira da minha cama quando eu fiquei doente. Você é o meu herói. Obrigado por não desistir de mim. Esse diploma não é apenas meu, ele é nosso."

Quando eu terminei, a minha voz sumiu por completo. O ar faltou no meu peito. Larguei o convite no colchão e cobri o rosto com as duas mãos, deixando que as lágrimas corressem livremente pelos meus dedos. Os meus ombros curvaram e eu chorei.

Mas não era o choro de dor, de exaustão ou de orgulho ferido que me destruiu nos últimos dias. Era o choro da libertação mais pura que eu já experimentei. O meu sacrifício tinha sido visto. Tinha sido validado, reconhecido e, finalmente, curado. Eu não era apenas o "filho útil". Eu era amado.

Eu senti os braços macios da Giovana me envolverem, puxando o meu corpo para o peito dela. Ela me segurou com força, me aninhando contra si, acariciando os meus cabelos enquanto eu desabava tudo o que guardei trancado dentro do peito por anos. Ela me protegeu enquanto eu chorava.

Ali, nos braços da minha Ferinha, com o convite de formatura do meu irmão ao nosso lado, eu soube que o passado tinha finalmente perdido o poder sobre mim. Eu estava livre. E estava pronto para o futuro com a única mulher que me ensinou o que era ser amado de verdade.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe