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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Anderson"

Eu ainda estava deslizando as mãos pelo corpo da Giovana e beijando o seu pescoço, quando o cheiro de queimado invadiu o quarto. Giovana me empurrou como se tivesse levado um susto, quase me derrubando da cama e saiu correndo. Ela realmente parecia que estava indo apagar um incêndio.

Eu a alcancei na cozinha, ela estava abrindo a porta do forno e abanado a fumaça que saiu de dentro. Ela tirou a forma de bolo lá de dentro e colocou sobre a pia, o carvão que jazia na forma foi a prova incontestável de que o cronômetro da Giovana tinha sido completamente ignorado.

Mas, no segundo em que o Felipe passou pela porta do apartamento, o bolo que estava no forno virou a última das nossas prioridades. Os quarenta minutos que a minha Ferinha tinha estipulado para um amasso acabaram se transformando em uma hora e meia de desabafo, choro e um acolhimento que eu nem sabia que precisava. E daí, uma coisa levou a outra e ela cobrou o amasso que tinha planejado. Não fosse pelo cheiro de queimado, nós não teríamos terminado aqueles amassos tão cedo.

Ela olhava para o bolo carbonizado frustrada, fazendo um biquinho lindo. Eu caminhei até ela e a puxei para um abraço, dando um beijo na sua testa.

- Olha isso, Gracinha. Eu disse que só tínhamos quarenta minutos. - A Giovana fez um muxoxo enquanto apontava para o bolo.

- Ferinha, eu sugiro que quando você decidir cozinhar, não use os intervalos para dar amassos, ou você nunca terá nada além de carvão para servir. - Eu brinquei e ela deu um sorrisinho.

- Meu plano era bom, Gracinha. Quarenta minutos conferindo o seu corpinho com as minhas mãos e ganhando beijos impróprios para serem dados em público. Mas você me distrai tanto. - Ela suspirou e suas mãos apertaram a minha bunda sobre o moletom, me fazendo dar uma gargalhada. - E a culpa é sua, antigamente você tinha mais foco, sabia a hora de parar...

- O problema, Ferinha, é que agora eu não preciso parar. E nem quero. - Eu a peguei pela cintura e a puxei para cima, a fazendo enroscar as pernas no meu quadril. - Agora que o incêndio foi controlado, vamos voltar ao que estávamos fazendo. Depois a gente liga pra padaria e pede um bolo.

Ela soltou uma risada gostosa, aquela que vibrava contra a minha pele e limpava qualquer resquício de outro pensamento que tentasse ocupar a minha mente. Nós voltamos para o quarto, rindo da nossa total falta de controle doméstico. Estar com a Gi era isso: uma mistura de caos, paixão e uma leveza que eu nunca achei que experimentaria.

A calmaria tinha finalmente se instalado. E a prova viva disso veio exatamente duas semanas depois, quando o momento que a minha família e eu mais planejamos chegou.

E as consequências daquele vício devastador não eram apenas emocionais, eram físicas também. Meu irmão agora tinha um leve tremor nas mãos e sofria com dores de cabeça angustiantes. Mas o Nelson, o psiquiatra do Rafael que deu um jeito de encaixar o Felipe na sua agenda sempre lotada, me garantiu que tudo ia passar, era questão de tempo e suportar o processo que seria angustiante.

E era isso, o vício não tinha só atingido o meu irmão, o vício dele em jogos de toda natureza havia afetado a família inteira. Os altos e baixos, a instabilidade emocional, o isolamento e a culpa descomunal que ele sentia, também eram sentidos por todos nós. Todos nós nos sentimos culpados por não ter percebido antes. Mas como o Rafael vivia me dizendo, não fazia diferença quem carregava a culpa, o que importava agora era focar na recuperação. E o Felipe tinha todos nós segurando a mão dele.

E o importante é que ele estava ali, conseguindo a primeira vitória, conseguindo o diploma que dava a credencial de profissional para ele. No momento em que ele pegou o canudo a minha mãe soltou um soluço alto e a Bianca começou a gritar o nome dele, batendo palmas com tanta força que o Rui precisou segurar os seus ombros para acalmá-la. Eu fiquei de pé em um reflexo e aplaudia o meu irmão cheio de orgulho.

Lá no palco o Felipe parou. Ele olhou diretamente para a segunda fileira da plateia, encontrou os meus olhos e levou a mão direita ao peito, bem em cima do coração, antes de fazer uma reverência estendendo o canudo com as duas mãos em minha direção, como se o oferecesse a mim. Eu senti, mais do que entendi o seu gesto.

Uma onda de emoção me atingiu em cheio. Eu engoli o nó na garganta, batendo palmas com força, sentindo as lágrimas arderem nos meus olhos. O diploma não era meu, mas a sensação de dever cumprido me preenchia por inteiro. O sacrifício tinha valido a pena e significava muito porque o final da história tinha sido escrito com redenção.

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